27 / Maio / 2020

3 passos para trazer eficiência à gestão dos hospitais de campanha

 gestão eficiente para hospitais de campanha

Estados e municípios encontram em unidades temporárias uma saída em tempos de pandemia, mas enfrentam desafio de garantir a segurança do paciente e a racionalização dos recursos

 Conforme a pandemia do coronavírus se espalha pelo Brasil, a demanda por leitos cresce na mesma proporção que o número de casos. Para responder a esse cenário, Estados e municípios investem nos chamados hospitais de campanha, estruturas temporárias instaladas em ginásios, estádios e outros locais semelhantes para receber indivíduos com a doença, mas em situações de baixa complexidade, que não necessitam de terapia intensiva. Com a instalação das estruturas surge, também, um desafio para a gestão hospitalar: garantir que operem de forma eficiente e eficaz, com a máxima segurança ao paciente e o consumo adequado de recursos.

 Gonzalo Vecina, médico, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), lembra que o Brasil não possuía experiência com projetos de hospitais de campanha. “Em toda a nossa história não tivemos a necessidade de adotar esse modelo. Temos poucos desastres naturais. Já vivemos circunstâncias como acidentes de avião, grandes incêndios, mas não eventos dessa proporção [da pandemia do coronavírus]”, comenta, reiterando que em outros surtos e epidemias, como o de H1N1 em 2009, a magnitude foi menor e não houve necessidade de criar estruturas emergenciais desse tipo.

 O especialista aponta que não há diretrizes definidas para essas unidades, o que torna mais complexo o trabalho da gestão hospitalar ao criar uma estrutura desse porte. "Não temos atualmente disponível uma norma da Anvisa para hospitais de campanha, que não são como os tradicionais, e não têm como serem por conta da velocidade e finalidade com que são construídos", salienta.

 Apesar disso, é fundamental garantir a máxima eficiência nesses complexos, promovendo um ambiente seguro para a assistência e que evite o desperdício de recursos - algo fundamental em tempos de pandemia. A seguir, o especialista aponta três passos que auxiliam a gestão hospitalar a trazer mais eficiência para essas unidades temporárias:

 

1- Planejar e adequar a estrutura

 O primeiro passo para a instalação de um hospital de campanha, segundo Vecina, é adequar a infraestrutura para as necessidades assistenciais. Pontos como iluminação, climatização, água e energia devem ser contemplados no projeto. "Precisa de estrutura para servir alimentos, lavanderia, laboratório de coleta, salas de raio X. Tenho visto, inclusive, alguns hospitais de campanha que estão aparecendo com tomógrafos, porque essa enfermidade pode demandar esse tipo de equipamento", elenca.

É nessa etapa também que surge a necessidade de planejar que tipos de tecnologias da informação serão necessárias para apoiar tanto a assistência quanto a gestão hospitalar, incluindo sistemas de gestão, prontuário eletrônico e até mesmo uso de telemedicina para que profissionais de Saúde tenham acesso a especialistas remotos e possam trocar informações sobre o quadro e a evolução clínica dos pacientes.

 

2- Definir e implementar protocolos clínicos

 O passo seguinte indicado pelo especialista é estipular o que será necessário para prestar a assistência no hospital de campanha e, então, alinhar essas necessidades a protocolos clínicos específicos. "Instalações sanitárias são complexas, então, é preciso fazer adaptações no caso dessas estruturas emergenciais. Acredito que um bom caminho é olhar para o que se quer fazer e, então, dar condições para que tudo possa ser efetivamente realizado", complementa.

Nesse sentido, os protocolos estabelecem um norte e fornecem à gestão hospitalar uma previsão dos medicamentos, insumos e equipes necessárias para atender os pacientes. Eles podem, ainda, ser aliados a um sistema de gestão hospitalar que integra recursos em TI para as áreas assistencial, de laboratório, de diagnóstico por imagem, de farmácia, financeira e contábil, permitindo otimizar tanto os processos hospitalares de atendimento quanto os de backoffice.

 

3- Adotar o prontuário eletrônico

Vecina complementa que alguns hospitais de campanha já em operação no País adotaram o PEP desde o início e funcionam, inclusive, sem papel, o que impacta diretamente na segurança do paciente e também na racionalização dos recursos. Quando integrado a um sistema de gestão, inclusive, o prontuário é capaz de disponibilizar indicadores relacionados a pacientes em isolamento no ambiente hospitalar, evolução de tratamentos, disponibilidade de leitos e demais dados que otimizam a qualidade assistencial.

Ao planejar cuidadosamente a implantação do hospital de campanha e, também, fazer uso da tecnologia disponível para otimizar os processos, a gestão hospitalar garante a assertividade necessária ao serviço ao mesmo tempo em que despende exatamente o recurso necessário para prestá-lo - equação fundamental em tempos de demanda elevada no setor de Saúde.

[report] Os 6 erros mais comuns em hospitais e como a Saúde Digital ajuda a evitá-los

[report] Os 6 erros mais comuns em hospitais e como a Saúde Digital ajuda a evitá-los

Baixar