03 / Setembro / 2015

9 provas de que a tecnologia é a melhor aliada no diagnóstico assertivo

medicina diagnóstica

A união da medicina com a tecnologia atinge seu ápice na medicina diagnóstica, principalmente nos exames de imagens. Apesar de todo o valor de uma boa anamnese e um exame físico bem executado, os exames — de sangue, de imagem, de urina ou de qualquer outro fluido orgânico —, ainda são necessários e muito bem-vindos para auxiliar a prática médica e gerar um diagnóstico mais assertivo.

A indústria de tecnologia médica brasileira já se aproximava dos US$ 20 bilhões em 2013 e a perspectiva é de que continue a crescer. A tecnologia é parte essencial da medicina moderna e pouco a pouco atingirá um equilíbrio de prós e contras, contando cada vez mais com evidências de custo-efetividade, acurácia e impacto clínico.

Seja reduzindo o tamanho de equipamentos, criando softwares, tornando exames menos invasivos, reduzindo a dose de radiação ou simplesmente inventando novos exames, a tecnologia é sua melhor aliada no diagnóstico assertivo dos pacientes e aqui estão 9 provas disso:

1. Renovação de exames clássicos
Desde a descoberta do raio-x no final do século 19 poucas foram as mudanças no uso de radiografias. Na década de 60, o aparelho de radiografias digitais até foi inventado, mas só na década de 90 é que começou a ser comercializado e popularizado nos serviços médicos. Desde então, a radiografia digital está dando fim aos típicos filmes, reduzindo a quantidade de radiação utilizada, aumentando a resolução da imagem e permitindo um processamento imediato por meio de softwares, com ajustes de penetração, contraste, subtração de imagens e outros aspectos.

A tomografia computadorizada (TC) também vem ganhando novidades. Esse ano mesmo foi lançado um tomógrafo capaz de capturar imagens volumétricas, tridimensionais e em alta definição mesmo de estruturas em movimento.

2. Exames portáteis e simples
Com a maior portabilidade dos equipamentos diagnósticos não é mais necessário estar no ambiente hospitalar para realizar exames. Atualmente, para realizar um ultrassom basta ter uma sonda, um cabo USB e um celular, tablet ou computador com o software compatível. Assim, o aparelho pode ir até o paciente e as imagens podem ser compartilhadas entre os profissionais com apenas um clique.

3. Melhor controle do tratamento de doenças crônicas
Exames mais baratos, mais simples e mais portáteis se tornam mais acessíveis para os próprios pacientes. Os glicosímetros são um ótimo exemplo disso, permitindo o automonitoramento de pacientes diabéticos, dentro do próprio domicílio desde a década de 80 e se tornando cada vez mais acurados desde então. Além da glicose, o automonitoramento da razão normalizada internacional (RNI) permite o ajuste da dose de anticoagulantes e reduz a frequência de eventos tromboembólicos.

4. Prontuários eletrônicos
Prontuários eletrônicos facilitam o acesso a exames antigos, permitindo uma melhor interpretação dos resultados atuais. Um nódulo solitário na radiografia pode, por exemplo, ser considerado como benigno se radiografias antigas estão disponíveis para comparação. Antes isso demandava que o próprio paciente tivesse guardado aquela chapa tirada dez anos atrás. Agora, basta abrir o arquivo da radiografia digital salva no Sistema de Arquivamento e Distribuição de Imagens (PACS) do hospital. Assim, além de economizar tempo, reduzir o consumo de papel e facilitar o faturamento, prontuários eletrônicos aumentam a certeza do diagnóstico, melhorando o tratamento oferecido ao paciente.

5. Medicina baseada em evidências
Sim, até mesmo a medicina baseada em evidências depende da tecnologia. Já imaginou fazer um ensaio clínico com 20.000 pacientes sem computador e softwares de estatística? Só com a ajuda da tecnologia é possível dizer que aquele paciente com dispneia e D-dímero positivo mas sem fator de risco para embolia pulmonar deve mesmo realizar uma angio-TC ou uma venotomografia. Ou até mesmo que aquele paciente com dor no quadrante inferior direito do abdome deveria fazer uma tomografia computadorizada para confirmar a suspeita de apendicite — embora a maioria dos serviços de saúde ainda utilize o ultrassom. Assim, a tecnologia é essencial para dizer qual exame e quando esse exame deve ser realizado.

6. Imagens 3D e 4D
A forma de captura da imagem não muda, mas o processamento pelos softwares trazem imagens digitais com resoluções mais altas, em diferentes planos ortogonais e até com criação de imagens em 3D. O ultrassom foi um dos que ganhou versões 3D e 4D. Esse avanço permite o diagnóstico de malformações antes do nascimento, preparando melhor a equipe médica para o momento do parto ou até mesmo permitindo a correção das anomalias durante a gravidez.

7. Exames mais sensíveis e mais específicos
O valor do resultado de um exame só pode ser definido a partir da especificidade e da sensibilidade desse teste para identificar alguma alteração típica de certa doença. Todas as mudanças tecnológicas nos exames acabam afetando então esses dois parâmetros, tornando o teste mais sensível e mais específico. Por exemplo, a mamografia digital, que surgiu apenas agora nos anos 2000, consegue oferecer uma sensibilidade maior na avaliação de mamas densas, que são o grande desafio do rastreamento mamográfico do câncer de mama.

8. Menos radiação
Com um melhor processamento da imagem em softwares, uma quantidade menor de radiação é necessária para gerar uma imagem de resolução igual ou mais alta do que as obtidas pelos equipamentos mais antigos. Além de aumentar a segurança dos exames para os pacientes, isso também reduz a exposição médica à radiação.

9. Big Data + medicina
O processamento de Big Data se tornou um dos ramos mais promissores da ciência da computação atualmente e não podia deixar de afetar a medicina. O termo Big Data se refere a um grande banco de dados, a seu processamento e sua análise estatística, a partir da qual são obtidas informações — novas correlações e novos padrões — que podem ser usadas para a tomada de decisões mais precisas. Na medicina, seria possível prever epidemias, associar alterações atualmente consideradas irrelevantes com doenças, gerar hipóteses, criar novos protocolos de diagnósticos, dentre outros. Atualmente, com pesquisas de pequeno porte sendo as mais comuns, é até difícil prever o que seria possível fazer com dados da saúde de populações inteiras e os benefícios que isso traria para a medicina.

A tecnologia na medicina diagnóstica promove maior acessibilidade, menor custo, mais rapidez e, o mais importante, diagnósticos mais assertivos que geram tratamentos mais eficazes para os pacientes. Dessa forma, com o desenvolvimento de novos softwares de processamento e de armazenamento e com a criação de novos equipamentos, a medicina diagnóstica só tende a se expandir e se tornar cada vez mais importante para a prática médica como um todo.