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17 / Janeiro / 2017

As 7 tendências de Saúde para 2017 no Brasil

Artigo

Seja fora daqui ou no Brasil, a tecnologia da informação é pauta das transformações. Mas há muito o que ser feito

 

*por Paulo Magnus, presidente da MV.

 

Boa parte das tendências de Saúde globais para 2017 envolve avanços tecnológicos. Uma reportagem doThe Wall Street Journal, por exemplo, aponta que "talvez o maior mercado a seguir na indústria de Saúde seja a tecnologia", graças ao número baixo de profissionais de Saúde e ao alto índice de envelhecimento da população. Nesse caso, continua o texto, a telemedicina é vista como centro da transformação, que poderá ser adotada em três frentes: em qualquer lugar, no consultório do médico e no hospital.

No primeiro caso, temos dispositivos, sejam wearable devices ou não, que ajudam no monitoramento, especialmente, de pacientes crônicos. Entre os exemplos estão tênis, termômetros, relógios, medidores de pressão e glicose, balanças e uma infinidade de outros dispositivos, todos inteligentes. Nessa tendência de Saúde, o paciente entra como peça central no fornecimento de informações sobre seu estado clínico, permitindo o tão falado cuidado remoto, gerando a preditividade e melhorando a eficiência no atendimento aos casos de emergência.

Já no segundo ponto, quando abordamos o consultório médico, as tecnologias visam ao conforto do usuário. Como resultado, dispositivos de diagnóstico precoce, de monitoramento em tempo real e registros eletrônicos de saúde -  itens antes inacessíveis para os pequenos consultórios - estão disponíveis a custos acessíveis a esse público. Por fim, no terceiro âmbito, o hospital foca em eficiência de custo e precisão/performance, com ajuda de tecnologias que facilitem a gestão, a segurança no atendimento ao paciente e o alcance do estágio de Hospital Digital, que traz para a Saúde a precisão e o controle que, por exemplo, os sistemas bancários aplicam à movimentação do dinheiro.

Obviamente, a reportagem traça perspectivas para o mercado norte-americano. Quando são analisadas as tendências de Saúde para o Brasil, com suas especificidades e momento de adoção tecnológica, chego às seguintes conclusões:

1. Saúde Pública: Quando avaliada a Saúde Pública, impossível não falar da PEC 241, ou PEC 55. O mercado fala sobre perspectiva de redução de investimentos públicos, mas o fato é que a forma como esses recursos são investidos deve ser revista. Pode soar parcial, mas é um fato: o setor passa por uma evolução tecnológica e muitos dos gargalos financeiros e de demora no atendimento ao paciente poderiam ter uma evolução incrível com o uso extensivo de tecnologia e automação. Como resultado, a automação permitiria análise de dados, melhor geração de insights e otimização de recursos. Temos ainda, a exigência do Ministério da Saúde de que todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) tenham um prontuário eletrônico do cidadão (PEC), uma versão reduzida do prontuário eletrônico do paciente (PEP), sob risco de perderem repasses públicos se não o fizerem. A exigência representa um grande avanço em termos de segurança e tratamento do paciente, e pode ter efeitos ainda mais potencializados caso venha como um estágio inicial para adoção futura do PEP, mais robusto e completo.

2. Hospitais: Essa melhoria de eficiência não é demandada somente por entidades públicas, encurraladas pela falta de recursos, ineficiência de gestão e potencializada pela PEC. Hospitais, em geral, precisam mudar sua rentabilidade. Não há mais lugar para ineficiência. Na verdade, nunca teve, mas vínhamos de um processo de sobra de clientes ocasionados pelo aquecimento da economia. Ocorre que, ao mesmo tempo que isso acontecia, houve aumento de custos por conta da elevação de preço dos insumos, dissídios coletivos e ineficiência que era coberta pela alta ocupação. Na primeira chuva, as coisas mudaram. Como reflexo do desemprego - entre agosto e outubro, a população desocupada somou 12 milhões de pessoas, um aumento de 3,8% sobre o trimestre de abril a junho de 2016 e de 33,9% frente ao mesmo trimestre de 2015 - em torno de 1,5 milhão de pessoas perderam seus planos de saúde. Os hospitais foram impactados quase que instantaneamente, sofrendo com a perda do incremento de receitas causado pela redução no fluxo dos pacientes, que mascaravam o efeito da elevação das despesas. O corte de custos, a revisão dos processos e o uso intenso de TI são única forma para o aumento da eficiência, receita já adotada por grandes redes hospitalares, como Rede D’Or São Luiz e Rede Impar.

3. Medicina Diagnóstica: o mercado está no momento de investir para qualificar e integrar tecnologias. Sistemas de Comunicação e Arquivamento de Imagens (Picture Archiving and Communication System, PACS) são apenas o primeiro passo do processo de eletronização das informações sobre os usuários.

4. Operadoras: operadoras caminham para ter maior relação com o paciente e não serem consideradas como meras pagadoras de procedimentos. A ideia é fornecer relatórios de atendimento e, até, medicina preditiva, com base nos resultados dos últimos exames, aumentando a cumplicidade com os custos de assistência. O mercado se prepara para ajudar nesse objetivo com soluções cada vez mais simplificadas, no estilo "plug and play". Esse movimento começa a tomar força e, embora não deva haver uma adoção massiva dessas abordagens mais consultivas pelas operadoras, já deve começar um movimento de evolução na relação com o paciente. Não podemos deixar de citar que vivemos um ciclo de muita preocupação com o sistema Unimed entrando em colapso e precisando reinventar seu modelo de atuação, tendo como alternativa a unificação de suas carteiras; com seguradoras e demais operadoras que tiveram queda expressiva no número de usuários, diminuição de margem e também precisam encontrar novos caminhos de aproximação com os clientes.

5. Big Data/Analytics: fala-se muito sobre o movimento de análise de grandes dados no setor, mas, antes disso, é preciso uma outra evolução: o registro e a informatização das informações. Hoje os dados gerados pela área clínica estão totalmente desestruturados. Acredito que, no Brasil, pouco mais de 100 hospitais tenham hoje um Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), totalmente estruturado com dados clínicos eficientes. O PEP ainda é uma pauta que deve ser trabalhada no País (em especial, trilhando o caminho do conceito Hospital Digital) antes de adoção mais ampla de tecnologias que permitam a evolução para o estado da arte de Big Data/Analytics.

6. Cloud computing: vejo, também uma maior adoção de projetos baseados em cloud computing pelas empresas de Saúde. Antes havia temores sobre a garantia da integridade e segurança dos dados, mas, hoje, com o conceito tendo sido testado e aprovado por outros setores da economia, a adesão já se fortalece. A ausência de investimento inicial e o custo reduzido de manutenção de tecnologias baseadas em nuvem, associadas ao custo cada vez menor dos links de internet, estimulam a digitalização de hospitais e outras entidades do setor, promovendo uma maturidade de TI mais adequada às necessidades atuais.

7. Empoderamento do paciente: as pessoas estão chegando ao centro das estratégias de Saúde. Com cada vez mais acesso às informações e com a tecnologia permitindo não só a geração dos dados individuais, mas, também, o armazenamento dessas informações, o paciente ganha mais poder de barganha e sente, diretamente, a diferença entre as redes: aquelas de atendimento rápido e que dispensam retrabalho de cessão de informações, graças à saúde digital; e outras com processos mais morosos e menos personalizado, do modelo convencional analógico.

Todas essas tendências de Saúde representam uma era sem volta. É só ver o que acontece, em massa, fora do Brasil, e o que já começa a se formar por aqui, com alguns casos ainda isolados. São tempos de mudança.

eBook: A tecnologia como aliada na gestão das instituições de saúde.

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