08 / Fevereiro / 2017

Cinco estratégias para evitar exames desnecessários e baixar os custos das operadoras

exames

Adoção de políticas de controle e acompanhamento de pacientes evitam prejuízos e otimizam gastos

 

Eficiência é a palavra da ordem para as operadoras de saúde em 2017. No ano passado, o Índice de Variação dos Custos Médico-Hospitalares (VCMH), produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), atingiu 19% - mais do que o dobro da inflação geral do País, medida pelo IPCA, que ficou em 9,4%.

Para deixar o cenário ainda mais complexo, em 2016 houve uma redução de 3,4% no número de beneficiários dos planos de saúde no Brasil - uma diminuição de 1.699.174 vínculos, segundo o instituto.

“A retração da economia alavancou ações para ampliar a produtividade”, avaliou Solange Mendes, presidente da FenaSaúde, em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”. Sobre as causas, ela é taxativa: “O desperdício no atendimento médico é um dos grandes componentes da inflação na área de saúde".

Atenuar o desperdício decorrente dos pedidos de exames é parte chave da redução desses custos. Em 2015, foram realizados 746,9 milhões de exames complementares no Brasil, gerando custo de R$ 25,1 bilhões, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Trata-se da segunda maior despesa para as operadoras de saúde, ficando atrás apenas das internações, que representaram R$ 52 bilhões naquele ano.

Os especialistas em gestão em Saúde Rogério Medeiros, professor da pós-graduação da Universidade São Camilo, e Roberto José Bittencourt, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), apontam seis estratégias para as operadoras diminuírem gastos com exames desnecessários e, com isso, otimizar custos.

1- Cumprimento de carências

Embora as operadoras de saúde sejam obrigadas a atender um rol de eventos determinados pela ANS, que envolve exames e procedimentos muitas vezes de alto custo, é possível evitar a repetição de procedimentos desnecessários ao exigir que os beneficiários cumpram carências de acordo com o prazo determinado por lei. Para isso, é preciso ter ferramental tecnológico que dê informações atualizadas sobre a regulação do setor.

2- Acompanhamento de pacientes

A operadora de saúde pode oferecer acompanhamento e trabalho de medicina preventiva para estimular os beneficiários a prevenirem doenças crônicas, cirurgias ou uso de remédios contínuos e, assim, evitar a necessidade de se fazer mais exames no futuro. “Com as informações compreensivas de tratamentos passados e atuais, é possível cruzar dados e oferecer um tratamento mais inteligente, seguro e confortável”, afirma Medeiros.

3- Políticas de segurança

Além do custo, outro fator que deve ser observado com muito cuidado é a exposição do paciente a exames que podem ser não somente dispensáveis como prejudiciais a sua saúde. “Há, inclusive, o risco de agravar a condição dele. Podemos pensar no caso de um teste desnecessário cujo resultado demora, gerando estresse e atrasando o tratamento mais eficaz”, lembra Bittencourt.

4- Controle de exames

As operadoras podem adotar políticas de controle como o chamado autorizador, que indica uma quantidade periódica de exames por usuário. “Por exemplo, estipula-se que o paciente faça ressonância uma vez por ano. Assim, antes de ele realizar há uma checagem que pode acusar duplicidade. Há limites na ferramenta, contudo: “É uma alternativa interessante, mas chega em um limite. Ele só funciona para exames de maior complexidade e custo. Para o chamado ‘varejinho’, como o hemograma, não vale a pena implementar devido ao custo”, afirma Bittencourt.

5- Uso de protocolos

Todo exame deve seguir a diretriz ou o protocolo de sua especialidade. “Com os avanços científicos, a tendência é toda ação médica ser feita com base em protocolos, ou ao menos uma diretriz. Isso garante mais segurança no atendimento e menos desperdício de recursos”, afirma Bittencourt.

“Atualmente existem quase 10 mil tipos de exames e não há como um profissional dominar toda essa oferta. Com políticas, protocolos e deadlines, é possível estabelecer prognósticos e diagnósticos com risco e desperdícios mínimos”, conclui Medeiros.

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