09 / Abril / 2019

Como ampliar a eficiência e reduzir custos nas redes de atenção à Saúde

gestão da saúde, pública

Gestão profissional de instituições é a chave para promover a transformação da Saúde Pública, adotando novas metodologias e tecnologias para levar a assistência universal ao futuro

 

A proposta do Sistema Único de Saúde (SUS), quando criado em 1988, era garantir e solidificar a  premissa de que "a saúde é direito de todos e dever do Estado". Com mais de 30 anos de existência, o modelo funciona atualmente em redes de atenção à Saúde, sendo a única alternativa da maior parte da população brasileira (75%). 

As redes de atenção do SUS já nascem com foco em manter a saúde dos cidadãos, e não somente em tratá-los quando já estão doentes - caso em que, consequentemente, tende-se a precisar de procedimentos mais caros, como exames e cirurgias. Contudo, é evidente a complexidade necessária para lidar com uma infraestrutura suficiente para atender uma população que já passa de 200 milhões de pessoas, e que envelhece rapidamente:  em 2050, a expectativa de vida nos países em desenvolvimento, como o Brasil, será de 82 anos para homens e 86 para mulheres. 

Nesse cenário, o sistema público enfrenta inúmeros desafios. Conheça alguns: 

  • Fila de espera: segundo pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e realizada pelo DataFolha em 2018, a demora é considerada o maior gargalo das redes do SUS para 82% dos entrevistados que buscam consulta, para 80% dos que precisam de um exame de imagem e para 79% dos que aguardam cirurgia. Ainda, estima-se que o sistema único tenha 900 mil cirurgias em fila de espera. 
  • Remuneração: a tabela de procedimentos do SUS está defasada cerca de 15 anos. A falta de atualização nos valores prejudica o caixa das instituições públicas, impedindo investimentos em pontos fundamentais, como infraestrutura. A baixa remuneração dos profissionais também acaba gerando descontentamento e criando mais uma barreira para um atendimento de qualidade. 
  • Sucateamento: a complexidade das licitações e a falta de recursos para investimento em inovações dificulta a modernização. As licitações são importantes para proteger o dinheiro público, porém, tornam-se um entrave por ser, na maioria das vezes, extremamente burocráticas; 
  • Integração: falta de comunicação integrada e compartilhamento de dados efetivo e em tempo real entre a atenção primária e as de média e alta complexidades gera ineficiências graves. A ausência de processos definidos contribui diretamente para esse cenário. Uma causa direta é a baixa informatização das instituições de Saúde, que dificulta a atuação em rede no SUS; 
  • Gestão: a falta de profissionalização nas instituições impacta diretamente na assistência porque não há definição e acompanhamento dos processos, tampouco estratégias para alcançar a eficiência e reduzir os custos

Caminho da eficiência 

O trajeto para superar esses e outros desafios das redes de atenção à Saúde passa pela adoção de metodologias e tecnologias que promovam eficiência tanto na parte operacional quanto na assistencial, reduzindo custos e otimizando a qualidade dos serviços. A transformação digital traz mudanças significativas. Para hospitais, o surgimento de tecnologias que auxiliam no cuidado é uma revolução. A criação do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) foi apenas o primeiro passo, abrindo espaço para a inserção de outras tecnologias no setor público, como o Registro Eletrônico de Saúde (RES), por exemplo. 

Mas essas tecnologias precisam ser precedidas por medidas de profissionalização da gestão. Uma metodologia inovadora no setor de Saúde e que pode ser aplicada nas instituições públicas é a Lean, importada da indústria e que institui o uso de nada além do que os recursos necessários para a realização de um determinado trabalho, etapa ou processo, evitando desperdícios. O levantamento de gastos desnecessários é essencial para uma gestão eficiente, e o modelo auxilia nesse enxugamento e otimização dos custos. Na metodologia, o gestor faz um balanço e identifica todos os processos que podem ser enxugados e funcionar de maneira mais simples e assertiva, diminuindo custos operacionais e também de insumos, se for o caso

Ter um planejamento estratégico que antecipe possíveis percalços também é um método eficiente de gestão, além da adoção de indicadores de desempenho e a  busca por uma integração das redes de atenção à Saúde. 

Em um cenário onde a TI evolui exponencialmente, é possível imaginar situações como um médico recebendo informações de seus pacientes em tempo real e sendo avisado caso haja alguma alteração. Ou, ainda, a possibilidade de traçar um panorama de longo prazo para manter a população saudável - e isso tudo é possível se combinarmos, por exemplo, os wearables, ou dispositivos vestíveis, com big data e BI. 

A partir daí é possível vislumbrar um futuro onde a Saúde Pública será, de fato, universal, integrada e equitária, com o cidadão como foco principal do sistema. 

[eBook] O SUS ontem, hoje e amanhã nas redes de atenção à Saúde

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