14 / Julho / 2016

Laudos e diagnósticos: principais erros cometidos e como evitá-los

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Em um ambiente estrutural complexo, transbordando estresse, com diversos atendimentos simultâneos e em que decisões vitais devem ser tomadas em questão de segundos, é até natural imaginar que ocorrerão erros, certo? Na verdade, as falhas humanas inerentes à atividade hospitalar são quase inevitáveis. Mas por mais que não consigamos eliminá-las, podemos sim avaliar melhor as razões de tais equívocos, a fim de projetar sistemas de trabalho mais seguros ao paciente.

Um levantamento feito pelo Estadão mostrou que, entre 2010 e 2014, o número de processos por erro médico cresceu 140%, sendo a maioria deles resultado de erros de laudos e de diagnósticos. Nos Estados Unidos, uma revisão na literatura médica revelou que a faixa de incidência de óbitos associados a erros gira em torno 250 milpor ano, o que coloca as falhas humanas — inclusive pela má interpretação de laudos e exames — como a 3ª principal causa de falecimento nos hospitais, atrás apenas de doenças cardíacas e do câncer.

Pronto para avaliar a qualidade do cuidado que seu hospital ou centro de medicina diagnóstica está proporcionando aos pacientes? Então fique de olho, porque a partir de agora vamos mostrar os principais erros cometidos e como evitá-los!

 

A classificação da Harvard Medical Practice Study

Os diferentes tipos de erros médicos podem ser classificados segundo diversos critérios, conforme a fase do processo em que ocorrem. Há erros de laudos e diagnósticos, de tratamento, equívocos preventivos — que englobam falhas na profilaxia e na negligência na monitorização —, além de erros de comunicação, bugs de sistema e assim por diante. Um estudo pioneiro da Harvard citado na Revista Brasileira de Epidemiologia os agrupou por áreas clínicas, da seguinte maneira:

- Relacionados a procedimentos cirúrgicos (erros por falha técnica, sangramento pós-operatório, ferida cirúrgica infectada, entre outras similaridades);

- Relacionados a drogas (antibióticos, medicamentos cardiovasculares, analgésicos, anticoagulantes e assim por diante);

- Relacionados a procedimentos médicos não cirúrgicos;

- Relacionados à demora em efetuar o diagnóstico ou à elaboração de um diagnóstico incorreto;

- Relacionados a tratamento não medicamentoso inapropriado ou não realizado no tempo necessário;

- Relacionados ao pós-parto e ao período neonatal;

- Relacionados à anestesia, a quedas, a fraturas, entre outros.

 

Um zoom apenas nos erros de diagnósticos e laudos

Erros de laudos e diagnósticos podem acontecer por atrasos evitáveis, omissão de avaliações recomendadas, equívocos na interpretação dos resultados de exames, falhas em equipamentos, ação fora da especialidade médica e até uso de testes inadequados. Vale ressaltar que, em muitos casos, esses fatores se comunicam, ocorrendo simultaneamente. E para começarmos a entender a origem desses erros, melhor agrupá-los e avaliar suas motivações separadamente. Veja só:

 

Atrasos no diagnóstico

Eventuais atrasos na emissão de um laudo médico e o lapso decorrente entre sua retirada e a posterior análise pela equipe também podem gerar erros de diagnóstico. Quer um exemplo? Em quadros oncológicos, a velocidade da reprodução das células tumorais é responsável por revelar situações clínicas completamente diferentes em intervalos de dias!

Por isso, hospitais e centros de medicina diagnóstica devem contar com sistemas de imagens e laudos (comoPACS e RIS) e outras soluções de TI em saúde que assegurem rapidez no fluxo de processos, automatizações na organização das filas de trabalho, além de agilidade na captura, no processamento de informações e na emissão de resultados. Os mais modernos sistemas de radiologia contam até com ferramentas de reconhecimento de voz, eliminando a perda de tempo na transcrição de laudos.

 

Omissão de avaliações 

Recentemente, um hospital de Brasília foi condenado a indenizar um paciente cujo diagnóstico equivocado retardou a realização de uma imprescindível cirurgia de apendicite. A justiça do DF determinou o pagamento de indenização de 60 mil reais por danos morais e estéticos, além de 162,90 reais de danos materiais comprovados. 

Pressupor o exagero na descrição dos sintomas por parte dos pacientes e menosprezar as manifestações clínicas são algumas das causas de omissão de avaliações de praxe que acaba gerando erros de diagnósticos. Capacitação técnica constante e treinamento para a prática do atendimento humanizado são soluções mais que recomendadas para combater esse tipo de falha. 

 

Interpretação dos resultados

Em relação à falta de adequada interpretação de resultados de exame, os casos são inúmeros. Um deles aconteceu no Distrito Federal, em 2014, quando uma paciente se submeteu a um exame de sangue para verificar o antígeno do fator de Von Willebrand. O resultado deu positivo por um erro de interpretação do profissional e tal imprecisão gerou uma ação judicial que condenou o laboratório à indenização em função dos danos psicológicos causados.

Nessa esfera, é importante destacar que se deve ter extrema cautela com o uso de softwares open source, cuja procedência costuma ser incerta e, em geral, oferecem dificuldades de suporte. Isso sem contar que, caso não estejam chancelados pela Anvisa, podem gerar pesadas sanções à instituição — sobretudo pelo alto potencial de imprecisões em diagnósticos. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Food and Drug Administration (FDA), órgão responsável pelo controle de alimentos e medicamentos, impõe punições de altíssimo impacto às empresas do setor que implantam esse tipo de software sem regularização.

 

Ação fora da especialidade

O Conselho Federal de Medicina e a legislação competente não proíbem que o médico atue em uma área em que não é especialista — lei de número 3.268, de 1957. Essa liberação faz com que alguns hospitais e laboratórios, especialmente de regiões com maior carência de médicos, permitam que profissionais de outras especialidades deem diagnósticos de fora de sua área de expertise. O resultado pode ser visto em forma de erro no laudo ou no tratamento recomendado ao paciente. Se é evitável, melhor apostar na cautela.

 

Falhas em equipamentos

Desconfigurações no equipamento hematológico podem alterar os resultados de um exame de sangue, bem como falhas no aparelho de ultrassonografia podem diagnosticar enfermidades inexistentes ou quadros clínicos diferentes da realidade.

Para exemplificar, vale a pena citar o famoso caso de um hospital mineiro em que uma falha na máquina de ultrassom mostrava movimentos dos gêmeos da paciente quando, na verdade, a gravidez era de apenas uma criança. De fato, portanto, um equipamento descalibrado ou defeituoso pode chancelar patologias ou situações comprometedoras à saúde física ou psicológica dos examinados.

 

Testes inadequados

A lógica nesse caso é simples: se a investigação toma um rumo incorreto, é evidente que o resultado será o tratamento inadequado e até um eventual agravamento da situação clínica não detectada.

 

Os principais meios de se evitar tais erros

O primeiro ponto para aumentar o índice de assertividade nas instituições de saúde é investir em tecnologia. Quanto maior for a quantidade de procedimentos administrativos ou técnicos automatizados, menores serão as chances de erros. A identificação de uma patologia envolve o cruzamento de inúmeros dados que, por melhor que seja o profissional, pode deixar o médico vulnerável a eventuais equívocos. Existem hoje no mercado sistemas de gestão hospitalar baseado em conceitos de Big Data Analytics, capazes de coletar, agregar e processar um verdadeiro oceano de informações, gerando indicativos poderosos para ajudar no processo decisorial. Esses sistemas também são usados para centralizar as informações, reduzindo as chances de erros por falhas na comunicação interna.

Imagine, por exemplo, uma prescrição ilegível saindo do consultório direto para as mãos de uma enfermeira, que não compreende o diagnóstico e administra a medicação errada. Ou a falta de PACS e RIS atuando de forma integrada, o que torna mais difícil o compartilhamento de imagens entre profissionais. Não tem como fugir: um bom software de gestão é uma ferramenta poderosa para alcançar a excelência em diagnósticos.

Segundo estudos de Troyen Brennan, pesquisador da Harvard Medical School, o risco de óbito hospitalar por erros ou complicações iatrogênicas é de cerca de 1 a cada 300 internações, enquanto (curiosamente) as chances de morte por queda de avião são de menos de 1 a cada 11 milhões de passageiros! Isso já nos dá uma ideia do alto volume de erros de interpretação de laudos, diagnósticos e tratamentos, não é verdade? Em média, cerca de 10% dos pacientes internados sofrem eventos adversos, dos quais 0,5% provoca danos irreversíveis e 70% poderiam ser evitados. Isso mostra que o investimento em capacitação e treinamento à pratica do atendimento humanizado devem figurar, ao lado da tecnologia em saúde, como ações prioritárias das instituições do setor para reduzir os erros em emissão de laudos e diagnósticos.

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