09 / Outubro / 2018

Medicina diagnóstica: saiba como garantir a segurança em radiodiagnóstico

Segurança em radiodiagnóstico

Cuidados na realização dos exames são essenciais tanto para pacientes quanto para funcionários; adoção de tecnologia auxilia na redução dos índices de emissões de radiações ionizantes

 

Com o avanço da tecnologia em medicina diagnóstica, exames de radiodiagnóstico se tornaram um importante apoio na tomada de decisão clínica. Eles são capazes de identificar inúmeras doenças que, ao serem detectadas precocemente, têm maior chance de cura. O emprego da radioterapia na destruição de células cancerígenas também contribui para a cura de tumores - no Brasil, são 596 mil novos casos da doença por ano, segundo o último levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca), divulgado em 2016.

Apesar dos resultados positivos, há riscos envolvidos no radiodiagnóstico. Os danos não estão relacionados apenas aos efeitos nocivos das radiações ionizantes, mas também aos possíveis erros de diagnóstico e exames desnecessários, como repetições por perda de imagem ou de laudo. Algumas situações são potencialmente perigosas, tais como:

  • Período gestacional: são diversas as pesquisas que comprovam risco para o feto, que é maior no primeiro trimestre da gestação. Caso haja urgência na realização de procedimentos, existem formas alternativas de proteção, como as que constam na Portaria 453, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dispõe sobre as diretrizes de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico. Uma delas é “que a dose na superfície do abdômen não exceda 2 mSv durante todo o período restante da gravidez, tornando pouco provável que a dose adicional no embrião ou feto exceda cerca de 1 mSv”. 
  • Trabalhadoras gestantes: a Lei n.º 13.467/17, que institui a Reforma Trabalhista, proíbe o exercício profissional de gestantes em atividades com grau de insalubridade máximo, exigindo o afastamento imediato assim que confirmada a gravidez. 
  • Doses recomendadas: de acordo com o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), as doses usadas devem ser as menores possíveis em qualquer paciente. Um procedimento de raio-X de tórax, por exemplo, deveria nortear valores em torno de 120 kVp com o menor mAs.

As principais diretrizes de radioproteção e ações para o afastamento dos efeitos nocivos da radiação estão na Portaria 453 da Anvisa. O manual “Radiodiagnóstico médico: desempenho de equipamentos”, do mesmo órgão, também traz normas importantes. As principais são:

 

Para todos os equipamentos

Realização de testes de radiação de fuga: avaliam se os níveis da radiação de fuga detectados a 1 metro do ponto focal estão de acordo com as restrições estabelecidas na legislação. Devem ser feitos no ato da instalação do equipamento e, depois, a cada 4 anos (ou sempre que houver modificações, reformas na cúpula do equipamento ou troca do tubo de raios-X). 

 

Para equipamentos de raios-x convencionais

Levantamento radiométrico: avalia se os níveis de dose estão em sintonia com as limitações definidas na legislação. Deve ser feito também na instalação do equipamento e a cada 4 anos, assim como sempre que houver quaisquer reformas ou alterações.

Controles de qualidade (sistema de colimação): fundamentais para analisar, por exemplo, os desvios entre o campo luminoso e o campo de radiação. Diagnosticam o alinhamento do eixo central do feixe de raios-X. Devem ser feitos semestralmente ou após reparos.

 

Para equipamentos de raios-x mamográficos

Levantamento radiométrico: idem ao descrito no levantamento para raios-x convencionais.

Controles de qualidade (sistemas de colimação): são feitos para analisar, entre outros fatores, a coincidência entre o campo de radiação e o campo luminoso, o alinhamento entre as bordas dos campos e o ajuste da borda da bandeja de compressão à borda do receptor de imagem. Devem se realizados anualmente ou após manutenções.

 

Para tomógrafos computadorizados

Levantamento radiométrico: idem ao descrito no levantamento para raios-x convencionais. 

Controles de qualidade (alinhamento da mesa em relação ao Gantry): visa analisar se o eixo longitudinal da mesa coincide com o plano vertical que passa pelo isocentro e com o indicador luminoso sagital. Deve ser feito a cada 6 meses ou após reparos.

 

Os equipamentos de radiologia digital, que substituem os filmes radiográficos e a alta exposição radioativa dos aparelhos tradicionais, são uma alternativa cada vez mais adotada para ampliar a segurança - já que reduzem em até 75% as emissões, dependendo do exame. Outra estratégia é evitar a realização de exames desnecessários - com o  sistema PACS (Picture Archiving and Communication System), por exemplo, as imagens ficam armazenadas no computador e podem ser enviadas diretamente para o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), diminuindo a chance de  perda de filmes radiológicos e laudos impressos.

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