07 / Julho / 2017

MPR, MIP, 3D: Ferramentas que auxiliam o diagnóstico por imagem

diagnóstico por imagem

Tecnologias permitem reconstruir e projetar imagens em diversos planos e possibilitam ao médico ver detalhes internos do paciente sem necessidade de cirurgia

 

Os exames por imagem são parte essencial da rotina médica. Têm importância tanto como apoio ao diagnóstico quanto para o acompanhamento de diversas doenças, influenciando na terapia a ser utilizada. As grandes vantagens desse tipo de exame são o caráter não invasivo e a alta velocidade na aquisição das imagens. Na prática, a tecnologia possibilita cada vez mais que o médico possa visualizar partes internas do paciente sem a necessidade de intervenções cirúrgicas.

O avanço da informatização, como apoio ao diagnóstico por imagem, possibilita que essa visão seja cada vez mais detalhada. Conceitos como Reconstrução Multiplanar (MPR), Projeção de Intensidade Máxima, Mínima e Média (MIP/mIP/Média) e o uso do 3D (visão tridimensional) permitem reconstruir imagens em outros planos a fim de detalhar estruturas, como ossos ou órgãos, ou mesmo tumores, facilitando a conduta médica.

O radiologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador médico do Grupo Fleury, Gustavo Meirelles, explica que essas ferramentas são utilizadas principalmente em exames de tomografia computadorizada de qualquer parte do corpo.

A técnica de MPR permite reconstruir imagens para outros planos de visualização a partir de uma única série. Dessa forma, o médico consegue analisar o exame em diferentes cortes (coronal, axial ou sagital), o que contribui para a visualização das estruturas de forma tridimensional. As imagens são geradas sem perda de qualidade, o que garante a validade das novas séries geradas a partir do exame. “Com isso, é possível visualizar uma determinada área do exame em várias orientações simultaneamente, o que facilita e melhora a qualidade do diagnóstico”, ressalta Meirelles.

Ao utilizar a técnica MIP/mIP/Média, é possível aplicar a atenuação de intensidade às estruturas para manipular imagens de tomografia. Com ela podemos realçar pequenos vasos, bronquíolos ou até mesmo pontos de contraste, por exemplo, para melhorar o diagnóstico. Conforme o especialista, a ferramenta é utilizada principalmente em tomografias de tórax. “É um apoio importante na localização de enfisemas, cistos ou nódulos nos pulmões”, afirma Meirelles.

A ferramenta 3D, como o próprio nome diz, proporciona a visão tridimensional do exame. Meirelles destaca que ela é muito útil, por exemplo, para avaliação de lesões ósseas e fraturas. “É importante também no pré-operatório para algumas cirurgias. Com o 3D, o cirurgião tem uma avaliação mais completa das estruturas que vão sofrer a intervenção.”

A vantagem é utilizada no dia a dia do cirurgião vascular e endovascular Daniel Benitti, integrante da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. “O uso das tecnologias de imagem me permite planejar cirurgias menos invasivas. Com o planejamento anterior, o sucesso da intervenção aumenta, o que beneficia o paciente e também o médico, já que é necessário o uso de equipamento como avental de chumbo, que pesa em torno de 20 quilos. Quanto menos tempo de execução do procedimento, menos o corpo do profissional sofre.”

Benitti acredita que as tecnologias são hoje essenciais não apenas para centros de diagnóstico, mas também para profissionais em consultórios. “Faz toda a diferença na rotina de cirurgiões de diversas especialidades.”

 

Implantação dos sistemas

Para fazer uso desse tipo de tecnologia de apoio ao diagnóstico, o centro médico precisa se adaptar. Além do hardware, é necessário possuir softwares que permitam o uso de ferramentas avançadas para diagnósticos.

A implantação do Sistema de Informação em Radiologia (Radiology Information System, ou RIS) e do Sistema de Comunicação e Arquivamento de Imagens (Picture Archiving and Communication System, ou PACS) são opções indicadas para padronizar, digitalizar e integrar toda a área de medicina diagnóstica. Com elas, desafios frequentes como falta de agilidade, dificuldade para obtenção de opiniões clínicas de mais de um especialista, precisão diagnóstica por meio da comparação de exames, redução de custos com revelação, perda de imagens impressas, entre outros, passaram a fazer parte do passado dos centros de diagnóstico por imagem.

Além de praticidade e segurança da informação, pode-se destacar como um dos principais benefícios da implantação dessas soluções a produtividade médica. Ter, por exemplo, o histórico de exames do paciente à mão possibilita diagnóstico bem fundamentado e um melhor acompanhamento do quadro de saúde. Como o PACS conta com os mecanismos avançados de visualização e reconstrução de imagens MPR, MIP/mIP/Média e 3D, o médico é capaz de fazer análises comparativas, fusões de imagens e reprodução em outras dimensões.

Meirelles acredita que o investimento realizado para implantação das ferramentas de apoio ao diagnóstico vale a pena. “A qualidade da avaliação do médico melhora bastante com a utilização desses conceitos tecnológicos, o que incide diretamente no tratamento proposto ao paciente”, garante o especialista.

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