28 / Maio / 2019

O passo a passo da gestão de operadora eficiente

PEP, RES, LGPD, Lean, software para operadora

Integração de tecnologias e metodologias auxilia na construção de um negócio  preocupado não só com seu próprio resultado, mas também com a evolução do setor 

 

Promover eficiência na gestão da operadora de Saúde é uma das principais formas de garantir a competitividade e sustentabilidade do negócio. Ainda mais a partir de 2019, quando a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) iniciou as discussões para realizar mudanças no valor de solvência - patrimônio que as instituições devem obrigatoriamente reservar para casos de falência. Ainda não há prazo definido para as mudanças, mas o setor de Saúde já está em alerta. 

Conforme a legislação atual, toda operadora precisa fazer uma provisão de 20% do faturamento ou 33% das despesas médicas, que incluem os pagamentos a hospitais, médicos e laboratórios, para garantir a cobertura caso "quebrem". De acordo com a nova regra da ANS, as organizações que tiverem uma boa gestão poderão reduzir esse valor - que soma, atualmente, R$ 28 bilhões -, desde que comprovem que tem alta eficiência e, consequentemente, menor risco de falir. A expectativa das operadoras é que o montante caia pela metade. 

Nesse contexto, é essencial criar uma cultura de gestão sustentável e eficiente. Paulo Marcos Souza, conselheiro do Instituto Latino Americano de Gestão de Saúde (Inlags) e ex-presidente da Aliança para Saúde Populacional (Asap), indica algumas metodologias para alcançar esse objetivo: 

  • Gestão para eficiência - Lean Healthcare: método que institui o uso de nada além do que os recursos necessários para a realização de um determinado trabalho, etapa ou processo, evitando desperdícios. Adotá-lo na administração da operadora minimiza custos e evita desperdícios de recursos, contudo, funciona melhor e com mais clareza se combinado à gestão eficiente dos prestadores e utilização racional dos serviços assistências pelos beneficiários; 
  • Gestão para performance - pagamento por performance (P4P): a atualização do modelo de pagamento para um com foco em performance garante que o beneficiário terá assistência com foco na qualidade, não na quantidade. Esse modelo, em detrimento do fee for service praticado atualmente, promove mais satisfação do beneficiário e auxilia a operadora no controle eficiente das contas médicas; 
  • Gestão para qualidade - Six Sigma e formação de Black Belts: a ideia é similar à metodologia Lean, sendo que alguns especialistas a caracterizam como 'Lean Seis Sigmas'. A diferença é que essa, além da otimização e redução de custo, também se preocupa com a qualidade, no caso da Saúde, da assistência. As operadoras podem cobrar em contrato que os prestadores utilizem metodologias como essa e capacitações como a Black Belts, que é uma atualização da acreditação Green Belts, ambas focadas na qualidade da assistência nas instituições e utilizadas por hospitais de referência; 
  • Gestão da informação: com a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), cresce a preocupação com a gestão das informações pela operadora. Como as regras ainda não estão muito claras, principalmente as que envolvem armazenamento, é necessário criar uma cultura de gestão da segurança dos dados que faça a operadora ter eficiência no armazenamento das informações e evite, assim, possíveis sanções e punições; 
  • Gestão com base na governança ética e compliance: a gestão que está em compliance é aquela que está em conformidade com leis e regulamentos externos e internos. Essa prática garante transparência, ganho de qualidade e segurança ao beneficiário porque minimiza atos de corrupção, danos financeiros e até questionamentos à moral, além de ser fundamental para garantir uma gestão de operadora eficiente. 

O especialista explica que é preciso ainda garantir a governança com base em transparência, valores sólidos e sustentabilidade. Para alcançar esse objetivo, o especialista indica o passo a passo da gestão de operadora eficiente: 

1- Profissionais comprometidos: no primeiro passo é necessário eleger pessoas com atitude, compromisso e formação adequada à função. "Pessoas 'A' comprometidas com a boa gestão e respeito às regras transformam um projeto ‘C’ em eficiente. Entretanto, pessoas 'C' pouco comprometidas com as metodologias e evolução têm potencial de destruir projetos 'A'", exemplifica;

2- Estratégia: é fundamental que seja elaborada com base nas circunstâncias e análises de oportunidades e concorrência, sempre respeitando as regulações e regras legais. Dessa maneira é possível "desenhar" a evolução da instituição, com metas bem definidas e indicação de como atingi-las, sempre apoiado pelas metodologias de gestão; 

3- Investimentos: alocar os recursos tecnológicos e financeiros de forma responsável é crucial, assim como buscar tecnologias para impulsionar a gestão eficiente. O especialista destaca que a organização deve promover a integração com o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) dos prestadores, ter um Registro Eletrônico de Saúde (RES) e integrar todos esses dados aos software para operadora de Saúde, de forma a criar um ambiente em que essas tecnologias sejam funcionais. Para tanto, é fundamental ter engajamento dos funcionários e também bom relacionamento com os prestadores; 

4- Preocupação com o mercado: com a cultura de eficiência implementada, o próximo passo é definir produtos que resolvam dores e lacunas do setor de Saúde como um todo. Na competitividade é que a instituição mostra que tem uma gestão mais eficiente e conectada com a realidade. 

Independentemente das possíveis mudanças nas regras de solvência promovidas pela ANS, garantir uma gestão de operadora eficiente é uma necessidade urgente de um setor que se transforma todos os dias, com o desafio de oferecer saúde mesmo com o crescimento da demanda, envelhecimento populacional e aumento dos custos assistenciais.