10 / Abril / 2017

O que não pode faltar no Hospital Digital

Hospital Digital

Os 8 estágios da HIMSS podem ser resumidos em cinco abordagens tecnológicas, dentre elas, a utilização completa de soluções, como ERP, PEP e PACS

 

O Hospital Digital, que representa a digitalização de processos gerenciais e de atendimento com o objetivo de melhorar o desempenho da gestão e promover maior segurança do paciente, aos poucos, deixa para trás o aspecto de tendência e ganha espaço prático nas entidades brasileiras. E, segundo especialistas, é um movimento generalizado, que deverá abranger todas as organizações que queiram continuar competitivas e ativas.

"É uma transformação sem volta: é preciso se adequar à tecnologia. O hospital analógico vai virar peça de museu em pouco tempo”, explica Marcelo Lúcio da Silva, diretor executivo da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (Sbis). “Da mesma forma que não vamos mais ao banco realizar pagamentos porque o internet banking se tornou parte do cotidiano, o Hospital Digital não será mais notado: a falta de informatização é que será vista com estranheza", adiciona.

Apesar de não haver um conceito fechado sobre o assunto, as definições apresentadas pela Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS – Sociedade de Informação em Saúde e Sistemas de Gestão) são, hoje, referência no assunto.  A entidade lista 8 estágios que indicam a evolução do processo:

 

Os 8 estágios da HIMSS (Fonte: Folks - www.folkstic.com)

Estágio 0 – Os três sistemas clínico-departamentais (LIS – laboratório, RIS – radiologia e PHIS – farmácia) não instalados ou não integrados e sem nenhuma disponibilização online de informações.

Estágio 1 – Sistemas para Laboratório, Radiologia e Farmácia instalados e integrados; ou resultados de exames disponibilizados on-line a partir de prestadores de serviços externos. 

Estágio 2 – Repositório de dados clínicos (CDR) instalado e centralizado. Pode ter um Vocabulário Médico Controlado (CMV), um sistema de apoio à decisão clínica para checagem básica de interações e capacidade de intercâmbio de informação clínico-assistencial.

Estágio 3 – Documentação de enfermagem no prontuário eletrônico do paciente (PEP), inclusive com a checagem de enfermagem registrada no sistema. Sistema de apoio à decisão clínica (CDSS) para verificação de erros durante a prescrição e solicitação de exames. Sistema de Arquivamento e Comunicação de Imagens (Picture Archiving and Communication System- PACS) disponível fora da Radiologia.

Estágio 4 – Sistema de prescrição e solicitação de exames e procedimentos (CPOE) instalado em pelo menos uma área assistencial. Sistema de apoio à decisão clínica baseado em protocolos clínicos. 

Estágio 5 – PACS com as principais modalidades de diagnósticos, com possibilidade de eliminação do filme (filmless).

Estágio 6 – Circuito fechado da administração de medicamentos, inclusive com checagem à beira leito. Interação da documentação médica com sistemas de apoio à decisão clínica (modelos estruturados e alertas de variância e conformidade).

Estágio 7 – PEP completo em pleno uso por todos os setores do hospital. Integração para compartilhar informações clínicas. Depósito de dados digitais (Data Warehousing) alimentando relatórios com resultados clínico-assistenciais, qualidade e Business Intelligence (BI). Dados clínicos disponíveis entre todos os setores: emergência, internação, UTI, ambulatório e centro cirúrgico.

 

Os 8 estágios da HIMMS podem ser resumidos em cinco abordagens tecnológicas que a entidade deve possuir para chegar ao nível de Hospital Digital:

- Digitalização das informações: tanto do paciente, como da administração do hospital;

- Sistemas de apoio à decisão clínica: para verificação de erros durante a prescrição e pedidos de exames, circuito fechado de administração de medicação, além de protocolos clínicos como base das ações;

- Capacidade de intercâmbio de informação e relatórios complexos: contendo resultados clínico-assistenciais;

- Utilização completa e plena de soluções de gestão hospitalar: Enterprise Resource Planning (ERP), Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) e Sistema de Comunicação e Arquivamento de Imagens (PACS);

- Integração: máxima em todos os departamentos do hospital.

Mas é importante lembrar que o conceito de Hospital Digital vai além da tecnologia, representando uma mudança na forma como a entidade como um todo se posiciona e pensa o atendimento ao paciente. Para isso, segundo Silva, da Sbis: é preciso haver sinergia entre o corpo clínico e administrativo. “Esses profissionais devem se sentir confortavelmente incorporados a essa nova atmosfera, entender as vantagens e benefícios práticos das implantações tecnológicas, tornando-se – especialmente os médicos – evangelizadores do Hospital Digital”, expõe.

 

O futuro do Hospital Digital

Ainda, segundo Claudio Giulliano - médico com mestrado em informática em Saúde pela Universidade de Campinas (Unicamp), com certificação em gestão de sistemas de informação em Saúde pela HIMSS e sócio da Folks -, o conceito é o ponto de partida da implementação tecnológica no âmbito hospitalar, não o de chegada.

 “Ainda não atingimos a plenitude do Hospital Digital, mas já temos utensílios e técnicas surgindo ou passando por processo de modernização e aprimoramento”, afirma. Dentre essas, adiciona, estão Internet das Coisas (IoT), telemedicina, wearable devices, Big Data/Analytics e, como consequência de tanta informação registrada, parametrizada e individualizada, a medicina personalizada.

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