11 / Dezembro / 2019

O “De-Para” da eficiência na gestão de Saúde

sistemas de gestão, prontuário eletrônico, Saúde Digital, inovação em Saúde

Para especialistas, diferença de resultados entre organizações está justamente na forma como administram seus recursos com o apoio da tecnologia para a tomada de decisão

 

A expressão hospital vem do latim, hospitalis, que tem o sentido de "ser hospitaleiro". Os primeiros hospitais, e consequentemente primeiras organizações de Saúde do mundo, surgiram por volta do ano 300 d.C. Eram locais para levar os enfermos, mas também os órfãos, miseráveis e até mesmo viajantes, e tratar-lhes da saúde da melhor maneira possível, com os recursos disponíveis na época. Em geral, quem provia esse tratamento eram os ricos - e adeptos do Cristianismo, que tinha a caridade como um dos pilares -, enquanto que os mais pobres nada pagavam por ele. Não havia, portanto, a necessidade de se preocupar com a gestão em Saúde e, por isso mesmo, pouco se falava sobre esse aspecto. 

Do século três ao atual século 21, muita coisa mudou. Nesse “De-Para” da gestão de Saúde, é possível observar que conforme a medicina e a tecnologia se desenvolvem, o mesmo ocorre com os aspectos administrativos das mais variadas organizações assistenciais hoje existentes. Afinal, para manter o atendimento, são necessários recursos financeiros. E encontrar o equilíbrio entre a qualidade do serviço ofertado aos usuários e os custos para viabilizá-lo é a chave para a sobrevivência do setor como um todo. 

Rodrigo Leite, médico especialista em gestão e CEO da FSL Governance, explica que, no Brasil, as instituições passaram a se preocupar com a gestão quando perceberam que problemas financeiros poderiam inviabilizar suas operações. E, mais que isso, muitas notaram que sem o controle dos gastos, as dificuldades se acumulavam, o que as levou a buscar profissionais que tivessem conhecimentos administrativos para resolver esse desafio. “A formação do médico, até hoje, não contempla a gestão. Aprendemos a diagnosticar, fazer cirurgias e tratar o paciente de forma ampla, mas quando precisamos contratar uma secretária para o consultório é muito mais complexo”, exemplifica. 

A principal consequência da falta de gestão na Saúde pode ser traduzida em números: estimativas mundiais dão conta de que 30% dos gastos de uma organização do setor são desperdícios. Para mudar esse quadro, promover uma gestão eficiente é o caminho. Foi com o objetivo de controlar melhor o faturamento das contas médicas que, nos anos 1980, surgiram no Brasil os primeiros sistemas de gestão (Enterprise Resource Planning, ERP). No início eram bastante simples, mas, conforme crescia a preocupação com a gestão, ampliava-se também a complexidade dessas e de outras ferramentas que foram surgindo, tais como prontuários eletrônicos, sistemas de armazenamento e gestão de imagens médicas, soluções de Business Intelligence (BI), analytics, Balanced Scorecard (BSC), Key Process Indicators (KPI), gestão da qualidade e, mais recentemente, inteligência artificial. 

Para Leite, tecnologia e gestão são complementares na Saúde Digital. “A tecnologia, sozinha, não resolve a gestão. Mas essa é uma crença que ainda existe hoje em dia: muitos profissionais pensam que vão comprar um software para sua clínica ou hospital e resolver todos os desafios no momento em que ligarem o computador na tomada. Mas não é isso que acontece.” O que a tecnologia proporciona são informações que apoiam a tomada de decisão. Não é, portanto, a tecnologia que torna a gestão de Saúde eficiente, mas sim o uso adequado que se faz dos dados gerados por ela. “Se a organização adota um sistema, mas não sabe o que fazer com os dados que ele coleta, vai sentir pouca diferença prática nos resultados”, destaca Leite. 

Para Alceu Alves, vice-presidente da MV, essa é justamente a diferença percebida no mercado brasileiro em relação a organizações que adotam o mesmo sistema, mas obtêm resultados diversos. “A diferença está em todo o resto: processos, pessoas, governança, estratégia, planejamento”, comentou durante apresentação no MV Experience Fórum, evento realizado em agosto, no Recife, que reuniu executivos, gestores e profissionais de Saúde com o objetivo de compartilhar conhecimentos e experiências para desenvolver e disseminar as melhores práticas do setor. Alves acredita que a gestão em Saúde é o que faz as pessoas virarem a chave mental e passarem a, de fato, assumir um comportamento que incentive a inovação na Saúde - apoiado pela tecnologia, mas não dependendo apenas dela. Caso contrário, a solução se torna unicamente repositório de dados, sem oferecer o apoio para a tomada de decisão que se anseia ao investir na TI. 

Portanto, para promover a eficiência na gestão de Saúde, os especialistas indicam que o caminho é pensar, primeiro, em promover uma administração profissionalizada. E, para tanto, é fundamental contar com profissionais qualificados e capazes de extrair os melhores resultados dos sistemas e das tecnologias como um todo. “Não há inteligência artificial que substitua a percepção de um bom gestor”, garante Leite.

[report] As três fases da gestão inovadora de Saúde

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