07 / Agosto / 2019

O “De-Para” do gestor médico no contexto da Saúde Digital

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Do perfil assistencial à junção de medicina, TI e gestão, profissional deve assumir papel de principal incentivador da aceleração do ciclo de inovação nas organizações do setor

 

A Saúde está em transformação e, com ela, uma figura fundamental nas organizações: o gestor médico. Esse profissional, que nasceu junto com os primeiros hospitais, enfrenta agora inúmeros desafios, que exigem muito mais que o conhecimento em medicina: no contexto da Saúde Digital, ele deve transitar também entre a gestão e a TI, incentivando a construção de uma cultura que acelere o ciclo de inovação. E essa mudança de perfil passa, essencialmente, pela formação. 

Nesse “De-Para” do gestor médico, o perfil exigido atualmente é o do profissional que saiba lidar com toda a complexidade da medicina, ao mesmo tempo em que encara desafios como motivar a equipe assistencial a pensar e inovar seus processos com o suporte das informações geradas pelos sistemas de gestão, de forma coordenada e sinérgica. E, diante da quantidade de dados coletados, que cresce diariamente, precisa se preocupar, ainda, com a gestão da segurança das informação, além de ser o principal incentivador da cultura de inovação em Saúde dentro das corporações. 

O primeiro hospital a ser criado no Brasil foi o da Santa Casa de Misericórdia de Olinda, inaugurado em 1540 e que funcionou até 1630. O mais antigo até hoje em atividade, a Santa Casa de Misericórdia de Santos, data de 1543. Conforme os anos passaram, a medicina se modernizou e, juntamente com ela, todo o setor. Surgiram outras organizações para compor a gestão do cuidado, tais como as operadoras de Saúde, clínicas médicas, laboratórios de medicina diagnóstica, entre outras. O gestor médico passou, então, a dividir espaço com pares especializados em administração e, mais recentemente, com profissionais de TI - já que a tecnologia da informação ganha cada vez mais destaque na Saúde Digital. 

Para Ricardo Madureira, diretor técnico assistencial do Hospital Santa Izabel, que integra o complexo da Santa Casa da Bahia, a formação médica - e, também, a dos demais profissionais de  Saúde - precisa mudar. “Acredito que os cursos devem acrescentar cadeiras de metodologias de gestão em Saúde, trabalho em equipe, segurança e coordenação do cuidado. Não tenho dúvida da necessidade de treinamento específico em uso dos sistemas operacionais para a segurança e qualidade assistencial.” 

Madureira acredita ser necessário um olhar aprofundado sobre o ser humano, e não apenas em relação ao processo técnico do diagnóstico e tratamento. Portanto, também elenca a inclusão de cadeiras humanísticas na graduação, como filosofia, sociologia, antropologia. “Os profissionais de saúde precisam entender de gente em todas as suas dimensões.” 

No webinar “O novo perfil do gestor médico no contexto da Saúde Digital”, Kleber Araujo, CMIO da MV e médico do Hospital Unimed Recife III, destacou a necessidade de inclusão de disciplinas relativas à informática médica na graduação, que ele classifica, ainda, como uma exceção no Brasil. “A formação médica é o alicerce para gerar profissionais que vão para o mercado entendendo a Saúde Digital como um aliado, e não como um empecilho, uma barreira. Ainda é muito desafiador para o profissional entender a tecnologia, mas com a participação de mais pessoas pensando, contribuindo e ajudando a desenvolver esses conceitos, vamos fazer com que essas soluções sejam encaradas como apoio para a prática assistencial.” 

No mesmo evento virtual, transmitido em julho de 2019, Leandro Costa Miranda, CMIO do Hospital 9 de Julho e consultor médico da Folks, destacou que é preciso ir além da formação médica e buscar conhecimentos também fora da graduação. Para ele, todos os médicos devem entender de gestão financeira, gestão da informação e recursos humanos, porque eles são, essencialmente, profissionais que lideram a equipe de Saúde e, portanto, precisam fazê-lo com entendimento de causa. 

Para ele, o novo perfil do gestor médico é aquele que tem profundo conhecimento sobre esses papéis. “E pensando na Saúde Digital, é importante ainda esse profissional conhecer um pouco de lógica de programação. O futuro das ferramentas de suporte à decisão pode ser comparado, hoje, a ter aula de farmacologia, na qual a gente conhece o risco e o benefício de cada remédio para, assim, decidir pelo melhor na tomada de decisão sobre o tratamento. O suporte à decisão vai estar muito ligado aos profissionais de Saúde e eles terão de saber quando precisam passar por cima da decisão entendendo como ela foi programada.” 

Cultura de inovação 

Dentro desse novo perfil, incentivar a cultura de inovação em Saúde se torna tarefa do gestor médico. Para Madureira, será fundamental que ele saiba como dar feedback e criar um sistema de reconhecimento/meritocracia. O especialista acredita que o futuro da Saúde Digital necessitará de profissionais mais empáticos, que empoderem seus pacientes e tenham a capacidade de pensar em ferramentas que os auxiliem a promover saúde, e não só resolver doenças. 

Miranda acredita que será preciso ter visão do futuro, além de um contato próximo com estratégia do hospital. Afinal, o papel do gestor será fazer essa interligação: ele recebe as dores, conversa, discute, junta as pessoas e, assim, leva à adoção das tecnologias que beneficiem a todos. 

O novo gestor médico é, então, aquele que vai além da medicina e que, acima de tudo, sabe como humanizar a Saúde, unir pessoas e utilizar as ferramentas mais adequadas para levar ao paciente a qualidade de vida que ele espera e precisa. 

Saiba mais sobre o novo perfil do gestor médico no contexto da Saúde Digital no MV Experience Fórum, que será realizado nos dias 8 e 9 de agosto, em Recife, Pernambuco, exclusivamente para clientes MV. Acesse: https://mvexperienceforum.com.br/.