14 / Dezembro / 2016

Operadoras de saúde: 6 estratégias para a sustentabilidade na crise

Operadora

Controle de gastos, cobranças efetivas, aquisição de equipamentos e acompanhamento de pacientes fazem a diferença

 

Há duas grandes forças soprando desfavoravelmente em relação ao mercado da saúde suplementar: o aumento do desemprego e o incremento constante do rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Nos últimos cinco anos, uma a cada cinco operadoras de saúde fechou as portas no Brasil. As causas para isso são, sempre, uma combinação de acontecimentos: crise econômica, problemas de gestão, desemprego, regulação do setor, ineficiência de processos, entre outras. Alguns desses itens fogem do controle absoluto dos gestores, outros se dão por falta de controle ou visão detalhada sobre seu próprio negócio. 

Das 49 milhões de pessoas que possuem planos de saúde no Brasil, 75% são beneficiárias de planos empresariais segundo a agência. Com a crise econômica e o aumento do desemprego verificados em 2016, mais pessoas deixaram de ter o benefício, movimento que afetou diretamente as finanças das operadoras de saúde. Além disso, o desenvolvimento natural de novos tratamentos médicos, a evolução de doenças já conhecidas ou o surgimento de epidemias (como aconteceu com o zika vírus) têm como principal consequência a atualização, pela agência reguladora, do rol de cobertura obrigatória de eventos de saúde. 

“A inclusão de novas coberturas através do rol de procedimentos causa impacto negativo financeiro para as operadoras mesmo com a ANS tentando compensar com os reajustes anuais dos planos. Se 80% dos beneficiários são de planos empresariais, é possível minimizar o impacto da evolução do rol de procedimentos por meio do reajuste anual. Contudo, o grande impacto vem dos planos individuais, que têm reajuste tabelado pela própria agência. Dessa forma, o que coloca em risco a sustentabilidade financeira das operadoras de saúde é a ausência de controle e organização sobre os custos”, afirma Andreson Mota, gerente de produto da MV. 

Diante disso, o executivo aponta seis estratégias de gestão para as operadoras manterem a saúde financeira em meio à crise, levando em conta, inclusive, a obrigatoriedade das empresas em manter o rol de procedimentos determinados da ANS.

1. Controle de gastos: já queas operadoras de saúde são obrigadas a atender um rol de eventos determinados pela ANS, que envolve exames e procedimentos bastante custosos, é possível evitar a repetição de procedimentos desnecessários. Toda a operadora de saúde tem o direito de exigir que os beneficiários cumpram carências de acordo com o prazo determinado por lei. Para isso, é preciso ter ferramental tecnológico que dê informações atualizadas sobre a regulação do setor. "Muitas acabam não utilizando benefícios previstos em lei por não possuírem ferramentas que possibilitem e agilizem tais controles", explica. 

2. Cobranças efetivas: a receita das operadoras de saúde é gerada pelo pagamento de empresas ou de beneficiários. É preciso ter, portanto, mecanismos que garantam a assertividade da cobrança, que evitem que valores deixem de ser arrecadados e garantam que os reajustes sejam corretamente aplicados. 

3. Vendas sustentáveis: a venda de planos pode ser mais sustentável à medida em que se criem campanhas de conscientização e educação da equipe comercial, orientando os vendedores a serem participativos na qualidade do negócio, e orientando-os a não incentivar o uso desenfreado do plano, por exemplo. Para que a prática ganhe corpo, a operadora de saúde pode oferecer bonificações ao vendedor cujos beneficiários gerem menos despesas para a operadora de saúde.

4. Acompanhamento de pacientes: a operadora de saúde pode oferecer acompanhamento e trabalho de medicina preventiva para estimular os beneficiários a prevenirem doenças crônicas, cirurgias ou uso de remédios contínuos. É melhor orientar um paciente diabético a fazer exames periódicos para controlar a doença, mesmo que isso envolva custos, do que arcar com cirurgias ou tratamentos mais onerosos se não houver um acompanhamento da enfermidade. Medidas como essas são eficazes na racionalização dos custos, por estimular menos despesas. O entendimento da população e a classificação de beneficiários em grupos de atenção (idosos, gestantes, hipertensos, por exemplo) para que eles recebam tratamentos diferenciados, também ajudam a otimizar eventuais despesas. 

5. Apostas na verticalização: se não está entrando mais receita, é preciso fazer com que as despesas diminuam. E como as maiores operadoras de saúde têm feito? Trabalhando com a verticalização, ou seja, trazendo para dentro da organização os maiores custos assistenciais. Há aquelas que fazem núcleos de quimioterapia para diminuir o impacto financeiro dos custos desses eventos com credenciados, assim como outros tipos de centros médicos especializados. 

6. Aquisição de materiais: a aquisição de determinados materiais e equipamentos, como os de órteses, próteses e materiais especiais (OPME), representam alto custo para as operadoras de saúde. Algumas delas têm montado equipes para otimizar o fluxo de negociação com fornecedores para reduzir essas despesas.

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