17 / Setembro / 2019

Os 6 elementos fundamentais da Saúde Digital baseada em valor

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Controlar desperdícios - que chegam a 30% no setor - e entregar desfechos de qualidade é o caminho para construir um ecossistema que priorize a qualidade de vida dos indivíduos

 

Ao construir novos modelos de gestão na Saúde Digital, há um aspecto que não pode ficar de fora dos debates: o valor. O significado de valor em Saúde é bastante complexo, o que dificulta também seu entendimento tanto por parte dos gestores quanto dos próprios pacientes. Na teoria, pode ser determinado como a relação entre os resultados obtidos com a assistência e os custos para garantir a entrega daquilo que realmente importa, ou seja, alcançar desfechos clínicos melhores ao mesmo tempo em que se evitam desperdícios. É necessário considerar, ainda, todas as sensações e percepções do paciente e de seus familiares durante a jornada na organização - seja em uma simples consulta de rotina, seja em uma cirurgia complexa. 

Na prática, porém, há um desafio enorme em implementar esses modelos baseados em valor e, consequentemente, alcançar a Saúde Digital por completo - conceito que vai além da tecnologia e envolve, também, gestão e pessoas. Um dos gargalos está exatamente na dificuldade em controlar os desperdícios de recursos. Estudos indicam que eles compreendem entre 20% e 30% dos gastos com Saúde no mundo. 

Para diminuir esses percentuais, é fundamental construir modelos de gestão que visem a entrega de valor na Saúde, utilizando a tecnologia como meio. Mas é necessário, também, colocar (ou seria “devolver”?) o paciente no centro dos negócios e criar uma cultura de inovação na Saúde que permeie as instituições como um todo. Para o vice-presidente global de informática em Saúde da Elsevier, Robert Nieves, a tecnologia tem papel crítico na construção dos novos modelos, já que ela traz mais eficiência e qualidade de assistência ao setor. 

O especialista destaca que é por meio da transformação digital na Saúde que se obtêm dados de qualidade, capazes tanto de reduzir erros que trazem consequências sérias para quem depende dos serviços de Saúde quanto de evitar perdas financeiras - alcançando o equilíbrio necessário para construir modelos com foco em valor. "Faz parte do conceito ter uma cultura de segurança - tanto dos dados quanto dos indivíduos. E ela depende, ainda, de garantir desfechos clínicos eficazes e custos longitudinais. Nesse sentido, quanto mais coordenado, apropriado e efetivo for o tratamento, melhores serão os resultados de qualidade, custo e sustentabilidade para o setor.” 

O especialista cita seis elementos fundamentais para construir uma Saúde Digital com foco na entrega de valor: 

  • Práticas integradas: a assistência não se resume apenas à soberania médica, mas deve ser composta por equipes multiprofissionais e práticas interdisciplinares. Nesse modelo, que inclui médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e outros profissionais, a depender de cada caso clínico, o paciente é visto como um indivíduo completo, e não resumido à doença que apresenta naquele momento. 
  • Mensuração de desfechos e custos: coletar dados em todas as etapas da assistência é fundamental para garantir o controle daquilo que é consumido e, consequentemente, dos custos. A mensuração permite, ainda, identificar onde estão os gargalos dos processos assistenciais e, assim, combater desperdícios que muitas vezes ficariam invisíveis. É possível, ainda, identificar quais são os desfechos de valor e como alcançá-los, trazendo melhorias na qualidade da assistência. 
  • Pagamentos por ciclos de cuidados: as discussões sobre novos modelos de remuneração na Saúde Digital são consideradas pelo especialista como uma etapa crucial para construir valor. Ele indica o pagamento por ciclos de cuidados, baseado em protocolos clínicos, como um caminho para vencer as desconfianças que ainda persistem na relação entre operadoras de Saúde e prestadores de serviço. 
  • Integração dos serviços de Saúde: todas as unidades que compõem o ecossistema de Saúde devem trabalhar em conjunto para construir um plano de gestão do cuidado que vise não apenas o tratamento e a cura de doenças, mas também a manutenção da qualidade de vida. Nesse ponto, é indicado integrar os sistemas utilizados pelas diferentes organizações para garantir a continuidade do cuidado em todas as suas etapas e, consequentemente, a entrega de um desfecho clínico de valor para o paciente. 
  • Expansão do acesso: garantir que todos os brasileiros tenham acesso à assistência é responsabilidade não apenas do poder público, mas de todo ecossistema de Saúde. Controlar custos assistenciais e levar serviços, mesmo que de forma remota, a quem precisa faz parte da construção de um modelo que tem o valor como foco. 
  • Plataformas de TI como facilitadoras: a tecnologia é a linha que costura todos os demais elementos citados pelo especialista. As plataformas utilizadas nos diferentes locais onde o paciente recebe assistência devem estar integradas e garantir acesso às informações para quem precisa. O uso de ferramentas de inteligência de negócios também é indicado para que o modelo de gestão em Saúde seja avaliado constantemente e em tempo real, permitindo a correção de rotas e, assim, garantindo desfechos de valor. 

Para Nieves, quanto mais coordenada, apropriada e efetiva for a assistência, melhor serão os resultados - de qualidade, de custo e, também, de sustentabilidade para o setor.