30 / Julho / 2019

Os três ‘P’s do Hospital Digital: predição, prevenção e precisão

HIMSS, Saúde Digital, gestão hospitalar, TI em Saúde, PEP,

Quando colocados em prática, conceitos melhoram a qualidade da assistência e trazem mais segurança ao paciente ao mesmo tempo em que reduzem custos e eventos adversos na Saúde

 

O conceito de Hospital Digital vai muito além da digitalização dos dados dos pacientes. Para a Sociedade de Informação em Saúde e Sistemas de Gestão (Healthcare Information and Management Systems Society - HIMSS), as tecnologias necessárias para a obtenção da chancela otimizam, também, a prática dos três ‘P’s da Saúde do futuro: predição, prevenção e precisão

Combinados, esses conceitos trazem ganhos tanto para os pacientes quanto para o sistema de Saúde em geral. Entenda cada um deles: 

  • Predição: a medicina diagnóstica é fundamental para a identificação de inúmeras doenças. Calcula a probabilidade de o paciente desenvolver algum tipo de enfermidade, o que estimula ações preventivas. Ganha reforços do mapeamento genético, que permite individualizar o tratamento de acordo com as características do paciente, o que torna o cuidado mais assertivo e preciso. Combinando o DNA com a análise de dados, pode-se, por exemplo, indicar a dose exata de medicação para aquele determinado paciente, garantindo a máxima eficácia com o mínimo de efeitos colaterais. 
  • Prevenção: a busca por mais qualidade de vida traz a necessidade de ações de medicina preventiva que incluam não somente consultas e exames de rotina, mas o engajamento e educação para que o paciente atue junto ao médico na busca de hábitos de vida mais saudáveis. Ferramentas de monitoramento, como os dispositivos vestíveis (wearable devices) e aplicativos de saúde, coletam dados que auxiliam na prevenção e no monitoramento das funções vitais dos pacientes. 
  • Precisão: visa a tratar a saúde do paciente de maneira exclusiva, individual, levando em conta todo o seu histórico e analisando cada caso em relação a dados clínicos, genéticos e estilo de vida. Trata-se do uso da genética, epigenética, exposição ambiental e outras variáveis para determinar padrões específicos dos pacientes. 

Claudio Giuliano, diretor da consultoria Folks, explica que a TI em Saúde tem papel fundamental na aplicação dos três ‘P’s. Afinal, é por meio das tecnologias que a organização coleta e armazena informações de forma estruturada, otimizando a análise dos dados para facilitar a tomada de decisão. “Dessa forma o médico consegue prever cenários em relação à saúde de um determinado paciente, que é a predição, avaliando todas as informações disponíveis, que é a precisão. Esse cenário facilita a criação de estratégias de prevenção, com o objetivo de minimizar o impacto de possíveis doenças ou mesmo de impedir que elas se manifestem”, explica o especialista. 

No contexto da Saúde Digital, os três ‘P’s podem ser aplicados, ainda, em estratégias de Saúde populacional. “Se conseguimos predizer que uma determinada população está mais sujeita a desenvolver um acidente vascular cerebral porque a incidência de pressão alta é maior, é mais simples prevenir porque sei exatamente onde devo agir”, afirma Giuliano. 

Para que o Hospital Digital trabalhe com estratégias de predição, prevenção e precisão, ao menos três tecnologias são fundamentais, conforme detalha o especialista. Conheça: 

1- Data warehouse: ou depósito de dados digitais, deve contemplar todas as esferas da gestão hospitalar, do assistencial ao backoffice, armazenando dados coletados por sistemas de gestão e pelo Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) de maneira estruturada. 

2- Analytics: realiza o processamento dos dados armazenados pelo data warehouse, possibilitando seu uso assertivo para a tomada de decisão. 

3- Ferramentas de apoio à decisão clínica: fornecem sugestões de condutas de diagnósticos prováveis e do melhor tratamento para o paciente com base nos dados armazenados. 

A prática dos três ‘P’s no Hospital Digital melhora a assistência como um todo, já que o desfecho clínico é otimizado pelo diagnóstico e tratamento mais preciso. Além disso, a segurança do paciente é ampliada, porque o tratamento é individualizado e específico. 

Esses resultados levam a um ganho de qualidade de vida e bem-estar que se reflete em todo o sistema de Saúde, que passa a ter o paciente como centro do negócio. “Se os indivíduos estão mais saudáveis, há redução de custos, de eventos adversos e mais satisfação geral com os serviços de Saúde”, detalha Giuliano. 

Mas o especialista alerta: no Brasil, ainda há um longo caminho a se percorrer para alcançar esse cenário. O que há são casos isolados, concentrados em instituições de excelência. Para alterar essa dinâmica, é preciso avançar a maturidade digital das instituições. E o primeiro passo, segundo Giuliano, é investir na base, com sistemas que apoiem a digitalização dos dados. Dessa forma, a informação é qualificada e pode ser utilizada por sistemas analíticos que permitirão colocar em prática os conceitos de predição, prevenção e precisão.

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