01 / Agosto / 2016

Planejamento em saúde: 7 países que servem de exemplo

planejamento em saúde

O planejamento em saúde no Brasil definitivamente não é dos melhores. E disso ninguém ousa duvidar. Os recursos aplicados são inferiores aos de outras nações, a existência de níveis diferentes de prestação de serviços (público e privado) estimula o sucateamento do sistema público, a falta de quadros qualificados na gestão das instituições gera não só desperdícios como descompromisso em relação ao alcance de metas e falta de logística inteligente nos processos internos. Isso sem falar na falta de informatização da rede, já amplamente debatida no nosso blog.

Enquanto o prontuário eletrônico é característica de hospitais de ponta no Brasil, nos Estados Unidos, quase a totalidade das instituições são plenamente digitais. E esses detalhes fazem toda a diferença no resultado final do comparativo de qualidade entre o que nosso país oferece e o que outras nações ofertam em serviços de saúde. Para deixar essas constatações mais claras, listamos no post de hoje 7 países que servem de exemplo em gestão de saúde pública (com ou sem parceria privada) para que tragam insights voltados à promoção de melhorias no nosso sistema!

Mas antes, alguns números da saúde pública no Brasil! Há 2 anos, a Bloomberg mediu a eficiência dos serviços de saúde de 48 países e o Brasil ficou na inacreditável última posição, atrás de países como Argélia, Irã e Peru. Não é difícil encontrar números que expliquem o porquê. Em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou dados de quanto cada país gasta anualmente em saúde. O Brasil gasta apenas 512 dólares anuais por cidadão, bem abaixo da média mundial, que é de 615 dólares per capita. A Noruega arca com uma média de 7,9 mil dólares para cada habitante, enquanto o minúsculo Luxemburgo gasta 6,3 mil e o Japão, 3,9 mil.

Quer saber como 7 países desenvolvidos encontraram a saída para prestar um serviço de saúde eficiente? Então nos acompanhe:

Reino Unido

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi inspirado no modelo britânico, chamado de National Health Service (NHS). A fonte de consulta foi excelente, mas parece não ter sido lida adequadamente pelo legislador brasileiro. Isso porque as diferenças entre os 2 modelos são imensas!

Os chamados General Practitioners (GPs) formam o eixo do atendimento no Reino Unido. E por mais que não exista equivalente idêntico no Brasil, podemos dizer que o conceito se situa entre o médico saúde da família e o clínico-geral. Vale ressaltar que esses médicos generalistas recebem por atendimento, o que ajuda a justificar o alto nível de eficiência desses profissionais. Enquanto os profissionais da atenção primária são subestimados pelo Estado brasileiro, na Inglaterra, eles são extremamente prestigiados e têm os mais altos salários do país. Inclusive, representam ¼ do total de médicos do país, enquanto no Brasil os médicos da família correspondem a 1% do total.

No sistema britânico, assim como o SUS, não existe a possibilidade de o cidadão agendar uma consulta com especialistas. Ele necessariamente passa primeiro pelo GP, que decidirá se encaminha ou não o caso a um atendimento mais profundo. E esse mesmo processo acontece ainda que a pessoa tenha algum seguro-saúde. O foco central na atenção básica ajuda a desafogar a rede e explica o fato de o país figurar no top 10 dos melhores serviços de saúde do mundo.

Singapura

Segundo lugar do ranking citado acima, esse país do sudeste asiático conta com 2 níveis de atendimento, assim como no Brasil. Há um setor público (parcialmente subsidiado) e outro privado. Entretanto, existe um fundo do governo que garante atendimento aos mais pobres, subsidiando os custos em até 80%.

Suíça

O sistema de saúde suíço é considerado um dos mais caros do mundo, mas é funcional e conta com a aprovação de boa parte da população. Cerca de ⅔ dos recursos são financiados diretamente pelos cidadãos por meio de pagamentos ao plano de saúde privado, que é obrigatório para todos (nem crianças e estrangeiros ficam livres do custeio). O Estado controla o pagamento, mas a prestação de serviços é privada.

O valor médio do plano é semelhante ao de um plano de saúde no Brasil, o que explica, em casos de cidadãos de baixa renda, que o governo subsidie parte dos custos. Um detalhe interessante: os eleitores suíços recusaram, em setembro de 2014, a criação de uma espécie de SUS, que encerraria com o atual sistema de saúde pago pelos cidadãos de forma direta.

Dinamarca

O sistema de saúde dinamarquês é público e, embora exista também um sistema privado, a maior parte da população acessa os serviços gratuitos oferecidos pelo Estado, em função do seu alto nível de qualidade. Todo cidadão residente legalmente no país tem acesso a ele, por meio de um cartão de identificação chamado sundhedskort. A Dinamarca está entre os 40 países de melhor serviço de saúde do mundo, um exemplo em planejamento em saúde.

O sistema de saúde da Dinamarca oferece aos cidadãos 2 possibilidades. Há um tratamento com o médico de família e especialistas (sob encaminhamento), gratuito, assim como outros serviços de saúde, como dentista, psicólogo e fisioterapeutas, sendo estes parcialmente pagos pelo usuário (sistema de coparticipação). Uma outra possibilidade consiste em pagar um valor extra ao Estado para usufruir do atendimento de qualquer especialidade médica.

Japão

O sistema de saúde do Japão é semelhante ao da Suíça, ou seja, há um seguro obrigatório, que garante aos cidadãos (japoneses e estrangeiros residentes) o direito de atendimento por meio de um dos 6 planos de seguro-saúde do país. Os 2 mais importantes são o dos empregados e o Seguro Nacional de Saúde, que cobre os trabalhadores autônomos, os desempregados e os aposentados. O Japão figura em terceiro lugar no ranking da Bloomberg, um ótimo exemplo de planejamento em saúde tanto pelos resultados como pelo perfil da população (em processo de envelhecimento), semelhante ao cenário atualmente vivenciado pelo Brasil.

Segundo dados da Embaixada do Japão no Brasil, “dentro dos planos de seguro de saúde do Japão, 20% das despesas médicas são destinadas aos recém-nascidos e a crianças menores, 30% vão para crianças maiores até idosos de 69 anos, 20% para a faixa entre 70 e 74 anos (entretanto, esse porcentual será gradualmente reduzido até chegar a 10% no ano de 2010). O grupo de pessoas com mais de 75 anos está inscrito em um sistema separado do sistema de saúde geral, chamado Sistema de Saúde Vida Longa”.

Canadá

A assistência médica no Canadá (na posição 17 do ranking), mundialmente conhecida como socializada, é pública, mas a maior parte dos médicos é autônoma, ou seja, não atua subordinada ao governo. Os cidadãos podem escolher o profissional que melhor lhes convier, sendo que estes são proibidos de cobrar qualquer valor diretamente dos usuários do serviço. Só a Oftalmologia e a Odontologia estão fora dessa conta. As fontes de receita dos serviços de saúde canadense podem vir de fundos do governo ou da iniciativa privada. E outro detalhe é que 60% dos medicamentos são pagos por seguros de saúde privados, que costumam fazer parte da lista de benefícios oferecidos aos empregados.

Áustria

A assistência de saúde da Áustria é uma das melhores do mundo, graças, sobretudo, à excelência no atendimento médico. No modelo austríaco, que ocupa a posição de número 16 do ranking, cidadãos e residentes no país têm acesso gratuito aos cuidados elementares da rede. O sistema, de forma geral, é financiado pelo recolhimento de tributos, contribuições da previdência e investimentos da iniciativa privada. Há ainda a obrigatoriedade de se ter um seguro-saúde social e seguro contra acidentes. A assistência primária é foco central de atuação, reduzindo bastante os custos com internações e manutenção dos hospitais.

E aí, qual modelo lhe parece mais adequado à realidade brasileira? Acha que algum deles pode ser mais facilmente implantado por aqui?

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