20 / Novembro / 2018

Principais tendências de gestão em Saúde na era da transformação digital

Transformação digital gera mudanças na Saúde

Otimizar processos utilizando como meio a tecnologia reduz custos ao mesmo tempo em que amplia a satisfação e a segurança do paciente

 

Investimentos em tecnologia estão em alta nos mais diversos setores da economia. Segundo o IDC, até 2020, cerca de 50% das organizações estarão comprometidas com iniciativas de transformação digital, que ganham força como indicadores de competitividade e sobrevivência no mercado.  Na Saúde, por muitos anos a expansão da tecnologia significou investimento em ferramentas de diagnóstico. Mas, com a profissionalização da gestão em Saúde, operacional e assistencial passam a ter a mesma importância. E o foco se torna a busca pela eficiência - que garante redução de custos ao mesmo tempo em que amplia a qualidade e segurança do paciente.

Tanto os processos assistenciais quanto os operacionais devem receber a mesma atenção. É o que garante o bom andamento da instituição, a otimização dos tratamentos, a racionalização dos custos e até mesmo uma negociação de contratos mais clara, tanto na visão das operadoras quanto dos prestadores.

A gestão eficiente ainda melhora a saúde financeira e operacional da instituição, parte importantíssima dna transformação digital, já que, para que ela aconteça de fato, os processos devem ser bem definidos e funcionar em total harmonia.

Conheça abaixo as principais tendências de gestão estratégia para a Saúde para as diferentes organizações:

 

No hospital

O modelo atual de remuneração entre operadoras e prestadores traz alguns desafios para a gestão hospitalar, sobretudo após o Observatório da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp) 2018 apontar que o prazo médio para que os hospitais privados recebam a remuneração pelos serviços aumentou de 66,8 dias em 2016 para 73 dias em 2017. Trata-se de um indicativo de que a gestão precisa ser cada vez mais eficiente, a fim de equilibrar as contas, diminuir glosas e otimizar processos.

Para tanto, dois pontos são fundamentalmente importantes em meio à transformação digital: a mudança de hábitos aliada ao investimento em tecnologias de apoio à gestão. Além de mudar os processos e rotinas de trabalho, a transformação digital no ambiente hospitalar tem impacto direto na gestão. Contar com bancos de dados dos pacientes e sistemas integrados de informações auxilia na elaboração de estratégias para garantir melhor aproveitamento dos recursos, sejam eles financeiros, materiais ou humanos. Eles também garantem a disponibilidade necessária de informações para a implementação de estratégias como o circuito fechado de medicamentos e a checagem beira-leito, que ampliam a segurança do paciente.

Os sistemas de gestão hospitalar são fundamentais no processo de transformação digital das instituições e aliados do gestor na hora de organizar as informações e evitar erros, melhorando o faturamento hospitalar. Tecnologias como analytics, Business Intelligence (BI) e, mais recentemente, inteligência artificial são opções para processar os dados armazenados e garantir uma melhor compreensão do que está dando certo e errado dentro da instituição. Dados do Observatório da Anahp 2018 confirmam a tendência do uso dessas ferramentas nos hospitais: cerca de 69% já geram BI dos prontuários.

Vale lembrar que uma das mais importantes metodologias que auxiliam no processo de transformação digital no hospital foi criada pela Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS). O modelo HIMSS EMRAM possui oito estágios, de 0 a 7, que classificam as entidades conforme o nível de digitalização de processos. Com processos parametrizados e controlados, evita-se desperdício e incidência de erros, abreviando a permanência desnecessária do usuário no ambiente e, portanto, reduzindo o nível de exposição e elevando, novamente, a segurança do paciente.

 

Na operadora de Saúde

A tecnologia também está presente nas soluções de gestão eficiente de Saúde para operadoras. Nesse caso, é um caminho para melhorar a saúde financeira, bem como para controlar custos, inadimplência, detalhes de cada contrato e todos os demais processos envolvidos no dia a dia dessas instituições. A transformação digital, no caso das operadoras,  deve ser entrelaçada a uma mentalidade de mudança do serviço ofertado, passando do foco de doença para saúde. Além do uso de sistemas de gestão para otimizar a organização de dados e processos operacionais, é preciso ter claro como funcionam tais processos e promover uma maior integração entre as áreas para se tornar, de fato, uma operadora digital.

Nesse contexto de mudanças, ferramentas de controle especializado para negócios ajudam a organizar os processos administrativos, operacionais e financeiros - fator essencial para o gestor entender os desafios e traçar possíveis caminhos para otimizar o gerenciamento da operadora, bem como adotar políticas de Saúde populacional, atenção primária e medicina preventiva, entre outras.

Outra opção para as operadoras de Saúde é o uso de ferramentas via web, que diminuem custos e mão de obra sem perder a funcionalidade, já que não necessitam de hardware complexo. Além disso, um bom ERP otimiza o planejamento e acompanhamento das metas e indicadores da instituição. O armazenamento de dados e o trabalho realizado pelas ferramentas de inteligência de negócios promove insights que definem estratégias de mercado e otimizam a relação com o beneficiário.

A adoção de todas essas tecnologias, aliada à mudança do modelo de gestão, permite à operadora, inclusive, se tornar sem papel - estratégia que reduz custos e agiliza procedimentos envolvidos na análise de dados para tomada de decisões estratégicas.

 

Na Saúde Pública

Outra tendência da transformação digital é a integração dos sistemas também na gestão da Saúde Pública. Esse é um dos principais desafios do setor, devido principalmente à escassez de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para investimento em tecnologia.

Porém, muitos gestores já têm uma visão clara de que a transformação digital no SUS é um caminho para racionalizar custos e oferecer uma saúde com mais qualidade e segurança para o cidadão. Isso porque ela alia a tecnologia a uma visão diferenciada de gestão, na qual as ferramentas servem de apoio para controlar os três níveis de atenção (primário, secundário e terciário), com soluções como a gestão de serviços compartilhados através dos consórcios intermunicipais e centrais de regulação digitais, entre outros. Nesse cenário, integrar informações e construir cenários através de um único bancos de dados são ações fundamentais para garantir o alcance da Saúde Pública em um país de dimensões continentais como o Brasil.

Iniciativas nesse sentido já começaram a tomar forma. Desde 2017, o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) é obrigatório em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) brasileiras. O PEC é uma ferramenta que simplifica o acesso às informações no banco de dados, aumentando também a segurança do paciente. O Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), além de prover todos os recursos que o PEC oferece, dispõe de vários outros recursos e pode ser integrado a outros sistemas de gestão e ferramentas de inteligência de negócios, gerando insights para a gestão da Saúde Pública. Além do que, esses sistemas integrados apoiam campanhas de medicina preventiva, mostrando dados demográficos e sociais essenciais para a rede pública.

A adoção desses sistemas tecnológicos facilita o controle de custos, diminui gastos desnecessários, amplia a gama de serviços disponíveis, além de aumentar a satisfação e segurança do paciente trazendo processos mais claros que impactam diretamente na atenção primária e até mesmo no tratamento dos pacientes que precisam utilizar os hospitais públicos.

 

Na medicina diagnóstica

A medicina diagnóstica, por si só, é inovadora - já que depende da tecnologia para existir. Mas sua gestão também é impactada pela transformação digital. O uso do Sistema de Informação em Radiologia (Radiology Information System, o RIS) integrado ao Sistema de Comunicação e Arquivamento de Imagens (Picture Archiving and Communication System, o PACS) e ao PEP faz com que as imagens, laudos, diagnósticos e informações relevantes sejam armazenadas no mesmo lugar, juntamente com os dados do paciente.

Com a computação em nuvem, essas informações podem ser acessadas de qualquer lugar, o que facilita a comunicação entre diversas áreas dentro de uma clínica ou hospital, otimizando as práticas administrativas em Saúde. A evolução dessas tecnologias integradas é uma forte tendência no setor e, principalmente no diagnóstico, onde ferramentas de inteligência artificial também devem auxiliar os profissionais médicos, já que a prevenção e diagnóstico rápido são fundamentais para a qualidade de vida do paciente.

Na medicina diagnóstica as tecnologias emergentes são as de IA, aliadas à diagnóstico por imagem e também tecnologias relacionadas à medicina molecular, principalmente ao genoma, que promete revolucionar a forma de predição e prevenção de doenças nos próximos anos, o que para a gestão significa uma desospitalização, já que as ações de prevenção e predição poderão ser aplicadas de maneira mais eficaz, diminuindo o custo da assistência.

 

Na clínica

A clínica médica também integra a transformação digital do setor. Mais do que transferir os dados da antiga agenda do médico para a tela, um sistema para clínica automatiza diversas rotinas, tanto assistenciais quanto de backoffice, contemplando desde o agendamento ao faturamento dos procedimentos.

Entre os principais objetivos das clínicas estão a racionalização dos custos, ampliação do retorno financeiro e, claro, otimização da qualidade da assistência e da satisfação do paciente. Para alcançar esses resultados, o sistema de gestão deve ser completo, contemplando módulos assistenciais, de gestão financeira e de recursos, de automatização de processos como agendamento e recepção e, ainda, contar com mobilidade para facilitar o acesso de qualquer lugar.

Para promover mais eficiência para os processos que têm relação direta com o paciente, os aplicativos também são uma tendência da transformação digital na clínica médica. Os de check-in, por exemplo, facilitam a etapa de pré-cadastro, colhendo online os dados que teriam de ser passados à recepcionista. Integrados ao agendamento online, estimulam o próprio paciente a fazer todo o processo que antes era realizado por profissionais da instituição, da escolha da melhor data e horário ao fornecimento de dados de pagamento.

Muitas inovações para otimizar a gestão em Saúde estão disponíveis no mercado. Mas, para que elas tragam os resultados esperados, o gestor deve, primeiro, avaliar as necessidades e os processos da instituição para entender quais ferramentas podem ser aplicadas. Somente assim é possível promover a verdadeira transformação digital - aquela que une tecnologia, gestão e pessoas em prol do cuidar.

eBook: A transformação digital da Saúde

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