31 / Março / 2017

Prontuário Eletrônico: a diferença entre o PEC, do SUS, e o PEP

PEP e PEC

Algumas funções de dados dos pacientes são comuns entre ambas as ferramentas, mas há detalhes que precisam ser considerados na hora de se optar pela solução

 

O Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), software que está sendo implantado pelo governo nas Unidades Básicas de Saúde com o objetivo de integrar as informações dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), é um importante passo no processo de digitalização de dados. Contudo, ele foi projetado de forma diferente das soluções do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), fornecidas tanto a clientes da área pública quanto privada. Thiago Uchôa, gerente comercial de produtos da MV, explica as diferenças entre eles.

 

Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC)

O que abrange: pelo PEC, criado pelo Departamento de Informática do SUS (Datasus), médicos podem consultar o histórico médico do cidadão, com acesso a informações de diagnósticos, atendimentos, exames e medicações passadas. O profissional poderá, ainda, checar se a droga que ele pretende recomendar está disponível na farmácia popular do município. O PEC consegue "conversar" com o PEP de redes privadas, e pode ser utilizado em locais com sistema híbrido. Mas os municípios que já utilizam PEP próprio não precisarão migrar para o sistema feito pelo SUS, desde que a solução utilizada já tenha integração com o e-SUS AB.

Objetivo: racionalizar os recursos do SUS e ter um maior controle sobre o que está sendo investido com os repasses públicos. Será também possível mensurar se o público atendido pela UBS foi dimensionado adequadamente e identificar as maiores demandas por tipo de atendimento das unidades.

Benefícios: a medida ajudará a reduzir custos ao evitar, por exemplo, a duplicidade de exames ou retiradas inadequadas de medicamentos, além de permitir acesso aos dados de todos os procedimentos que envolvem a atenção básica, como o trabalho das equipes dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf), do Consultório na Rua e da Atenção Domiciliar (AD), e os programas como Saúde na Escola (PSE) e Academia da Saúde, todos integrados pelo e-SUS.

O que o PEC não abrange: o Prontuário Eletrônico do Cidadão, por sua vez, não permite ao médico ter acesso a protocolos clínicos, como, por exemplo, sobre como agir em caso de dengue; prescrever um plano diagnóstico; visualizar o resultado de exames de imagem diretamente no prontuário eletrônico; nem apresenta recursos personalizados no sistema.

 

Prontuário eletrônico do Paciente (PEP)

O que abrange além do PEC: o prontuário eletrônico do paciente se faz por um conjunto de ações clínicas e gerenciais. Tudo o que os profissionais de Saúde agregam ao prontuário de papel, podem fazer na versão eletrônica de maneira integrada aos demais serviços relacionados à consulta. Enquanto a solução voltada aos cidadãos representa a eletronização de um processo que já existe, o PEP permite mais funcionalidades, como inserir recursos personalizados na coleta de dados durante a consulta médica, prescrição e visualização de exames, histórico de atendimentos nos demais serviços de Saúde (hospital, centros especializados etc.) e encaminhamentos para outras especialidades destacando inclusive o grau de urgência daquela solicitação. O PEP propriamente dito faz a captura de todos os dados exigidos pelo Ministério da Saúde e os transfere já gerados em arquivos no padrão estabelecido pelo Datasus, sem a necessidade de acessar outro sistema. Essa transferência de dados é feita por meio de envio de arquivo com padrão próprio do e-SUS (extensão.esus).

Objetivo: o PEP também pode ser fornecido ao mercado privado. Contudo, falando especificamente sobre a rede pública, essa administração mais cautelosa, permite mensurar se a unidade de Saúde tem um público adequado para aquela região, além de identificar as maiores demandas por tipo de atendimento das unidades. Também ajuda a reduzir custos ao evitar, por exemplo, a duplicidade de exames ou retiradas inadequadas de medicamentos.

Benefícios: o PEP promete melhores resultados a profissionais e usuários, pois facilita o acesso a dados para fazer um melhor diagnóstico. Há também a integração dos serviços públicos e assistenciais com o faturamento da instituição de Saúde, o que facilita o trabalho do gestor. A ferramenta consegue, ainda, garantir a segurança do profissional que faz o atendimento e do paciente, já que dá acesso a dados de outras consultas e procedimentos. Exemplo: o registro no prontuário informando que o usuário é alérgico a algum medicamento permite que o sistema emita um alerta na prescrição, evitando, assim, que o remédio seja administrado.

O PEP pode também ser customizado de acordo com a especialidade do profissional que for utilizá-lo. Caso de um cardiologista, por exemplo, que poderá customizar no PEP como ”favoritos” os exames prescritos com maior frequência, dando maior agilidade ao atendimento e permitindo que o dedique mais tempo à anamnese do paciente, realizando um atendimento mais humanizado.

Pelo PEP pode ser possível, ainda, acessar o Sistema de Arquivamento e Comunicação de Imagens (Picture Archiving and Communication System - PACS) da instituição e, a partir disso, acrescentar informações ao diagnóstico. O PACS é um software que captura, armazena e compartilha imagens médicas já integradas aos equipamentos por meio de redes. Com a tecnologia, é possível fazer laudos remotos de exames por imagem como tomografias, ressonância magnética, ultrassom, dentre outros.

Outra facilidade é a integração com demais sistemas, como de imunização e vacinas, odontologia e estoque. Nesse, o médico de um hospital ou UBS saberá quais as medicações estão disponíveis em toda a rede, antes de receitá-las.

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