20 / Setembro / 2018

Saúde da Família: como funciona o programa de atenção primária

Atenção Primária

Programa tem pouco mais de 25 anos e propõe uma descentralização no modelo até então usado na Saúde brasileira e tem como objetivo desafogar os hospitais, que não atendem à demanda atual

 

A Estratégia de Saúde da Família (ESF) é uma ação implantada pelo Ministério da Saúde em 1994, quando recebeu o nome de Programa Saúde da Família (PSF). O objetivo foi acabar com a ideia de assistência emergencial, ou seja, tratar os pacientes apenas quando eles já estão doentes, e praticar a atenção primária, sob corresponsabilidade da União, estados e municípios.

Parte da estratégia de descentralização prometida pela atenção primária consiste em vacinas, atendimentos odontológicos, consultas, exames de rotina, orientações e campanhas educacionais. O objetivo é diminuir a pressão nos hospitais públicos, que não possuem estrutura suficiente para suportar prevenção e tratamento.

Como se trata de uma mudança de cultura, ainda é difícil retirar da população a ideia de que o hospital não deve ser a porta de entrada do tratamento. É comum que cidadãos, especialmente os que estavam acostumados ao modelo antigo de tratamento, pulem a etapa de pré-atendimento, que seria feita em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), e recorram às urgências e emergências. Por sua vez, alguns gestores públicos ainda erram em interpretar o tratamento primário como menos importante, já que a prevenção, além dos benefícios já citados para as pessoas, também pode ajudar na diminuição de gastos públicos.

 

A importância da ESF na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB)

A PNAB é um documento publicado pelo Ministério da Saúde com o intuito de ser um guia máximo de ações de Saúde a serem desenvolvidas no País. Nos últimos anos, a atenção básica ganhou destaque no documento e comemora os avanços do ESF no Brasil. O PNAB usou consultas públicas para a construção e de soluções para os problemas existentes nos serviços de atendimento assistencial, no último relatório, de 2017, o Ministério da Saúde recebeu 8.369 contribuições de profissionais da Saúde.

 

Os destaques da contribuição à atenção básica

Algumas especificações nos objetivos da PNAB sobre a Estratégia de Saúde da Família são destaques:

  • Existência de equipe multiprofissional composta por, no mínimo, médico generalista ou especialista em Saúde da Família ou médico de Família e Comunidade, enfermeiro generalista ou especialista em Saúde da Família, auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde. É possível, ainda, acrescentar os profissionais de saúde bucal, como cirurgião-dentista generalista ou especialista em Saúde da Família, auxiliar ou técnico em saúde bucal. 
  • A quantidade de Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) deve ser suficiente para cobrir 100% da população cadastrada, considerando um máximo de 750 pessoas por ACS e de 12 ACSs por equipe Saúde da Família. 
  • Cada equipe Saúde da Família deve ser responsável por, no máximo, 4 mil cidadãos, sendo a média ideal recomendada de 3 mil, respeitando critérios de equidade para essa definição. 
  • Cadastramento de cada profissional de saúde em apenas uma ESF, com exceção do médico, que poderá atuar em no máximo duas ESFs. 
  • Ênfase na multidisciplinaridade, que proporciona uma visão 360º de cada usuário do serviço.

Ou seja: acompanhamento integral, multidisciplinar e comandado por equipes treinadas - que vão até o ambiente no qual o cidadão vive -, são premissas essenciais para o sucesso da Estratégia de Saúde da Família. 

 

Futuro da prevenção

A prevenção de doenças não é um assunto novo - todo o modelo de Saúde brasileiro, em especial a atenção primária, foi pensado em cima desse tema. Com a evolução das tecnologias de análise preditiva e de diagnóstico, geração e análise de dados com apoio de soluções de Inteligência Artificial, analytics e Business Intelligence, a tendência é a aplicação do conceito de uma forma mais automatizada e menos custosa.

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