05 / Dezembro / 2017

Saúde digital: como um data center próprio pode frear o desenvolvimento do hospital

Saúde Digital

Necessidade de alto investimento, custos invisíveis e risco de perda de dados podem impactar atendimento ao paciente

 

Hospitais informatizados produzem grande quantidade de dados digitais, que devem, posteriormente, ser facilmente acessados por gestores e demais funcionários. Com o desenvolvimento da saúde digital, uma opção recorrente é a criação de um data center, com equipamentos, servidores e processadores instalados no mesmo local físico da instituição de Saúde. A evolução do conceito, porém, demonstra que a prática pode comprometer o desenvolvimento da entidade e impactar o atendimento ao paciente.

Um dos sinais de alerta dessa situação é o fato de que data centers próprios necessitam de grande investimento em licenças de software, aquisição de servidores e demais itens que compõem um centro de processamento de dados tradicional. Outro ponto a ser levado em consideração é que o conjunto de máquinas fatalmente ficará desatualizado com o passar do tempo, o que tende a diminuir a capacidade de resposta dos sistemas e prejudicar a gestão dos dados. Renovar o parque tecnológico pode exigir alto investimento, que deixa de ser aplicado no cuidado à saúde.

O espaço adequado para o centro de dados também pode se tornar um problema caso não seja corretamente dimensionado, já que, com o projeto concluído, não são raras as vezes em que se percebe que toda aquela área era desnecessária, gerando um custo fixo sem qualquer retorno. O local seria melhor aproveitado caso fosse destinado para atendimento ao paciente, podendo, assim, ampliar a rentabilidade do hospital, por exemplo.

O modelo ainda gera custos invisíveis para as organizações, ou seja, aqueles que são de difícil rastreamento e controle, tais como energia elétrica, cabeamento, necessidade de manutenção periódica, entre outros. 

 

Segurança da informação

Ter um data center próprio tende a dar a falsa sensação de segurança da informação. Mas é preciso pensar no risco de perder dados em ocorrência de eventos inesperados, tais como inundações, incêndios ou a simples quebra de um hardware ou cabeamento. Realizar consertos, nesses casos, pode também comprometer o atendimento prestado no hospital, já que eles tendem a levar mais tempo e impedir o acesso aos dados. Também é importante ressaltar que o nível de segurança da informação de grandes provedores de cloud computing é extremamente maior e mais profissionalizado do que apenas uma entidade consegue ter.

Outra situação em que o uso do data center pode comprometer o atendimento é no caso de aumento da demanda de pacientes, como costuma ocorrer, por exemplo, quando há surtos de doenças como febre amarela, chikungunya, zika vírus e dengue. Isso porque, com mais pessoas para atender, é preciso ampliar o espaço em servidores a fim de armazenar a quantidade extra de dados gerados, exigindo investimentos que não serão mais utilizados quando o problema for controlado. Data centers próprios não permitem a prática da escalabilidade em saúde digital, ou seja, a ampliação do espaço em servidores e, depois, a redução quando o hospital retorna ao fluxo cotidiano.

 

Profissionais

O ambiente próprio também exige que a equipe de tecnologia da informação (TI) tenha foco mais operacional, já que precisa estar concentrada em manter o sistema em funcionamento. Usar um data center interno exige atenção constante na prevenção e correção de problemas técnicos, muitos até de fácil resolução, mas que interferem no fluxo de trabalho normal dos profissionais. Esse tempo gasto em manutenção poderia ser investido em tarefas mais lucrativas para a organização de Saúde como um todo e mais desafiadoras para o crescimento dos funcionários.

Quando ocorre ampliação da rede assistencial por meio de aquisição de unidades e a necessidade de integrar os sistemas, o data center pode complicar a migração e integração de dados. Isso acaba por gerar interrupções que prejudicam a rotina hospitalar - mais ainda no caso de unidades que trabalham com urgência e emergência 24 horas por dia.

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Cloud Computing na Saúde: mitos e verdades sobre a aplicação da tecnologia

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