10 / Julho / 2017

Segurança do paciente: sete alertas essenciais

Segurança do Paciente

Tecnologia é aliada no processo, mas é preciso haver cultura de segurança, que parte da gestão e inclui também o próprio paciente

 

Quando se entrega a vida aos cuidados de uma instituição de Saúde, sempre se espera pela cura. Para que essa expectativa se cumpra, é preciso que a organização garanta a segurança do paciente em todos os procedimentos, desde uma simples prescrição de medicamentos até uma complexa cirurgia de transplante de órgãos.

Apesar do avanço da medicina, o número de mortes por erros médicos no Brasil ainda é alarmante. Em 2015, em todo o sistema nacional de Saúde, estima-se que em torno de 434 mil óbitos foram provocados por erros médicos, segundo pesquisa do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Isso significa que a cada três minutos, mais de dois brasileiros morrem em um hospital, público ou privado, por erros que vão desde dosagem ou aplicação de medicamento, uso incorreto de equipamentos, cirurgias mal conduzidas até práticas descuidadas que levem à infecção hospitalar. Nem sempre esses exemplos significam negligência, mas um incidente que poderia ter sido evitado.

O diretor executivo do Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente e diretor clínico do Hospital São Camilo, José Branco, destaca que os erros podem ocorrer em várias etapas de procedimento. “Em um ambiente hospitalar, 40% dos erros estão relacionados à prescrição de medicação, como indicação de remédios errados, interação medicamentosa e falta de constatação de alergias”, destaca.

 

Os sete alertas essenciais

São sete alertas essenciais para se garantir a segurança do paciente, descritos a seguir:

 

1 – Formação e capacitação: Para o otorrinolaringologista Arnaldo Guilherme, integrante do Comitê de Ética Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a formação e capacitação constante dos profissionais é o primeiro princípio básico para evitar erros médicos. “É preciso garantir a qualidade dos cursos de medicina no País, pois a proteção contra o erro médico começa neles. A atualização constante do profissional também é fator essencial.”

2 – Gestão de segurança do paciente: Além de profissionais bem preparados, é necessário haver também gestão específica de segurança do paciente dentro das instituições de Saúde, o segundo alerta essencial, garante José Branco. “Os hospitais devem criar os chamados Núcleos de Segurança, obrigatórios por lei desde 2013. Esses núcleos precisam contar com equipe capacitada para identificar erros, estudar por que foram cometidos, o que pode ser feito para evitá-los e monitorar se eles ocorrerão novamente. Não no sentido de punir os funcionários, mas de garantir que todos estejam atentos aos processos de trabalho.”

3 – Criação de protocolos médicos: São documentos que formalizam o relacionamento entre o profissional de Saúde/instituição e o paciente. Têm por objetivo oferecer uma diretriz que oriente a conduta médica e assistencial frente às doenças mais frequentemente encontradas, tanto nas emergências quanto nos consultórios, e indicar os remédios, exames laboratoriais e de imagem mais adequados ao quadro do paciente. O resultado dessa aplicação é uma padronização no atendimento. Os protocolos buscam o melhor tratamento, com eficácia comprovada e com relação custo/benefício apropriado para a instituição.

4 – Cuidados na identificação: Segundo a cartilha 10 Passos para a Segurança do Paciente, elaborada pelo Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo (Coren-SP), o cuidado com a identificação deve estar previsto em todas as etapas de atendimento, da admissão até a alta. Falhas nesse processo podem resultar em erros de medicação, erros durante a transfusão de sangue, em testes diagnósticos, procedimentos realizados em pacientes errados e/ou em locais errados, entrega de bebês às famílias erradas, entre outros. Para assegurar que a identificação esteja correta, todos os profissionais precisam estar atentos e trabalhar com pulseira de identificação, prontuário, etiquetas, solicitações de exames, com a participação ativa do paciente e familiares durante a confirmação da sua identidade.

5 – Garantir a higiene: O quinto alerta refere-se à higiene nos procedimentos, desde a básica higienização das mãos até a limpeza de equipamentos e uso correto de materiais descartáveis, quando necessário. Trata-se de uma das principais ferramentas para evitar contaminações e infecções hospitalares.

6 – Corresponsabilidade do paciente: o usuário do sistema de Saúde também precisa ser responsável por sua segurança, de acordo com o diretor executivo do Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente. “Ele pode e deve dialogar com os profissionais que o atendem, questionar, exigir a comunicação correta do tratamento ao qual está sendo submetido. Afinal, quem melhor que o próprio paciente para saber seu histórico médico?”

7 – Circuito fechado de medicamento: com esse procedimento, todas as operações são registradas e protocoladas, da compra do medicamento à sua administração ao paciente. A prescrição, feita pelo médico, é inserida no  sistema. Um farmacêutico faz a avaliação e libera a receita. Quando esse medicamento for aplicado, o sistema fará uma checagem, verificando se é o correto para aquele paciente e se está na dose e horário precisos.

 

Tecnologia como aliada

A tecnologia da informação atua como aliada desses sete alertas essenciais. O diretor executivo do Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente cita o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) como uma das principais ferramentas que auxiliam nesse processo. “O prontuário eletrônico ajuda a evitar erros na prescrição de medicamentos e diagnóstico, por exemplo. Ele também auxilia na realização de auditorias posteriores ao erros bem como feedback às equipes envolvidas.”

O PEP tem a capacidade de reunir, em um único local, todas as informações clínicas e assistenciais sobre o atendimento, simplifica o armazenamento de dados e facilita a rotina dos profissionais de Saúde. Os dados são apresentados de forma mais estruturada e integrada, o que permite ao gestor fazer uso de inteligência clínica em vários cenários, como na sugestão de protocolos clínicos e de novas condutas.

A integração do PEP com portais de conhecimento médico também ajuda a amparar a decisão clínica graças ao acesso a pesquisas globais e informações atualizadas sobre fármacos. Além disso, essa unificação permite a emissão de alertas: o próprio PEP avisa se aquele paciente, conforme seu histórico, tem alguma restrição à fórmula a ser aplicada ou se há chances de interação medicamentosa.

Com esses cuidados essenciais, é possível proporcionar ao paciente a segurança que ele busca em uma instituição de Saúde.

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