30 / Janeiro / 2017

Sistematização da Assistência à Enfermagem: entenda a SAE

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Solução garante qualidade do atendimento individualizado, criação de indicadores de assistência e ajuda a otimizar custos

 

A Sistematização da Assistência à Enfermagem (SAE) é um importante instrumento específico da enfermagem que faz com que o enfermeiro, que é o líder da equipe (composta por técnicos e auxiliares de enfermagem), consiga avaliar individualmente os pacientes e entenda quais tipos de cuidados ele precisa. Essa metodologia garante não somente o gerenciamento do cuidado pela qualidade do atendimento, mas a segurança no processo, pois diminui as chances de erros dos profissionais por promover decisões baseadas em evidências científicas.

Com o advento da informatização da Saúde, em especial com a introdução dos prontuários eletrônicos do paciente (PEP) na rotina hospitalar, a SAE tem ganhado agilidade em guardar e organizar os dados que envolvem desde a assistência à gestão hospitalar.

“A automação de processos prevê o uso de protocolos com base em evidências científicas. Isso garante que se façam as condutas mais indicadas para o paciente e também que se registre toda essa assistência de uma forma organizada. Isso permite a segurança, porque avalia essas ações”, afirma Consuelo Garcia Correa, coordenadora do grupo de estudo sobre SAE do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP).

A especialista aponta como a automação dos processos da enfermagem auxilia os hospitais nas rotinas de assistência médica e na garantia da segurança do paciente.

Segurança da equipe na documentação da assistência: Antes da informatização, o enfermeiro já agregava os dados da rotina em questionários descentralizados. Com o prontuário eletrônico do paciente, por sua vez, a rotina passou a ser documentada e facilmente acessada. Nesse contexto, qualquer questão que seja identificada - seja um risco para o paciente em relação aos cuidados de saúde ou tratamentos - pode ser minimizada, por estar documentada em um PEP, cujas informações são facilmente acessíveis. Se houver necessidade de avaliação de algum ponto de assistência que possa ser questionado, tendo isso sistematizado pelo SAE no prontuário eletrônico, fica documentado e disponível para uma avaliação a qualquer momento, inclusive da auditoria. Isso vale tanto para segurança do paciente, quanto para a do profissional de enfermagem.

Cuidado mais individualizado e de qualidade: Com base nos protocolos de boas práticas, a equipe de enfermagem avalia qual é a rotina adequada para seu ambiente de trabalho. Com o SAE, por sua vez, a rotina estabelecida é direcionada para as necessidades individuais de cada paciente. Exemplo: por mais que haja vários pacientes com pneumonia em determinada ala, mesmo já existindo protocolos de medicamento e atendimento padrão, a equipe de enfermagem vai focar nas necessidades de cada um. Isso é, alguns terão febre, outras doenças preexistentes que demandam cuidados diferenciados, ao passo que outros estarão com quadro mais leve e demandarão menos remédios e cuidados. Isso agiliza processos, altas e tempo de uso do leito.

Geração de indicadores de qualidade da assistência: a partir dos registros de cuidados, os profissionais têm como pontuar uma série de indicadores que, consequentemente, ajudarão a melhorar a assistência posteriormente. É possível medir: dias de internação; tempo de assistência, condutas de prevenção contra lesões; quantos remédios precisa, quais não usa.

Otimização de recursos: quando se individualiza o atendimento, geralmente se consegue atender até as necessidades de prevenção, o que tende a diminuir o prazo de permanência do paciente no hospital, diminuindo, por sua vez, os custos. Essa otimização direciona os valores para o que é necessário, ou seja, quem precisa mais terá acesso a mais - e vice-versa. Mas essa economia se vê em médio ou longo prazo, pois há um custo para se fazer esses controles de enfermagem. A ausência deles pode acarretar em prejuízos ou mau direcionamento de recursos.

Mas todas essas vantagens só aparecem em equipes devidamente treinadas para adotar o SAE nas suas rotinas, segundo Consuelo. “Quando você implanta o SAE na instituição, você está mexendo com uma tecnologia de processo de trabalho. Tem que adequar a equipe a usar aquilo. Os enfermeiros já aprendem isso na graduação, só que não existe uma uniformidade. Por isso, tem de haver um treinamento contínuo, já a SAE mexe com o processo de trabalho, com a tomada de decisão, e o enfermeiro tem que ter muito conhecimento para avaliar esses pacientes”, afirma.

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