31 / Março / 2020

Tecnologia é aliada da gestão da Saúde Pública na prevenção de doenças de alto contágio

Saúde Pública

Sistemas de gestão, prontuário eletrônico e outras inovações em Saúde apoiam gestores e profissionais no combate a patologias de rápida disseminação, como é o caso da Covid-19

 

Surtos, epidemias e pandemias são cenários cíclicos, que surgem de tempos em tempos e representam um desafio para a gestão da Saúde Pública, responsável pela assistência a mais de 70% da população brasileira. O Sistema Único de Saúde (SUS) tem recursos limitados, que precisam ser administrados com inteligência e de forma estratégica, em especial diante da alta da demanda característica dessas situações. Em cenários críticos, o atendimento ao cidadão pode escalar em uma proporção tão grande que, se não houver diretrizes de contingência e gerenciamento robustas, o sistema entra em colapso. 

A Covid-19, ou coronavírus como ficou conhecida, é um exemplo de como o gerenciamento inteligente é fundamental para garantir que a demanda por consultas e internações não exceda o número de leitos disponíveis. Classificado como pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março de 2020, o vírus recebeu uma nomenclatura, em um resumo simplista, que representa um cenário de alta probabilidade de contágio. Antes de se tornar pandemia, uma doença passa por outros dois níveis de classificação: surto, quando há um aumento repentino de casos de uma doença específica; e epidemia, quando há diversos surtos de uma mesma doença em diferentes regiões.

A tecnologia é aliada da gestão da Saúde Pública em situações como essas. "Ainda temos um longo caminho de aprendizado em relação ao coronavírus, com diversas incertezas, mas a tecnologia pode contribuir na formação desse conhecimento", aponta Gonzalo Vecina, médico e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Exemplos de fora

Epicentro da Covid-19, a China viu aumentar, além do número de casos, o de aplicações de inovações em Saúde para o combate ao vírus. São soluções como análise de dados e inteligência artificial para pesquisadores, além de serviços de telemedicina para residentes da província de Hubei, epicentro da doença. Neste último caso, o objetivo é realizar uma triagem prévia de pessoas que apresentam sintomas, mas não necessariamente estão com a doença, em um esforço de evitar a locomoção de indivíduos pela cidade e a sobrecarga dos serviços de Saúde.

Na Itália, o segundo país mais afetado pelo coronavírus no mundo, chatbots dão recomendações e diretrizes médicas oficiais sobre a doença. A meta aqui é também realizar uma pré-triagem online, por meio de um aplicativo focado na realização de consultas remotas que já ajudou a reduzir o número de pacientes que se locomoviam para hospitais.

Cenário brasileiro

Mesmo que algumas tecnologias utilizadas em países desenvolvidos não estejam disponíveis de imediato para a gestão da Saúde Pública no Brasil, é possível fazer uso de ferramentas como sistemas de gestão e o próprio prontuário eletrônico do SUS no combate a pandemias. O ponto chave, segundo Vecina, é a disponibilidade de dados. “Esses dados podem ser aplicados no desenvolvimento de modelos matemáticos, essenciais para o entendimento da dinâmica da atuação de vírus como o Covid-19 na sociedade. Podem ser usados, ainda, no mapeamento de desdobramentos de doenças com alta probabilidade de contaminação, e em situações em que há casos mais graves, possibilitando a realização de estudos a partir de comparações sobre a evolução individual de cada cidadão. Todas essas aplicações permitem antever cenários e traçar ações específicas de saúde populacional, com objetivo de combater a disseminação de doenças de alto contágio”, explica.

Vecina também destaca o papel de aplicativos no controle de pandemias. A gestão da Saúde Pública pode acompanhar cidadãos com essas ferramentas, utilizando os dados para traçar estratégias específicas para populações mais afetadas, por exemplo. O Ministério da Saúde, inclusive, já desenvolveu um app específico da Covid-19, com dicas de prevenção, descrição de sintomas, formas de transmissão, mapa de unidades de Saúde e até uma lista de notícias falsas que foram disseminadas sobre o assunto. 

As diferentes possibilidades de aplicação de tecnologias que existem por aqui possibilitam não apenas acompanhar cidadãos que já estão doentes, mas, principalmente, evitar a disseminação, modificando a lógica do sistema de Saúde como um todo para o foco na qualidade de vida da população brasileira. E em caso de pandemias, esse comportamento não é só uma questão de custo, mas de salvar o maior número de vidas quanto for possível.

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