11 / Outubro / 2018

3 principais motivos para o aumento do custo assistencial das operadoras de Saúde

Crescimento de custos assistenciais nas operadoras

Mesmo com queda do número de beneficiários, gastos foram maiores nos últimos anos; fatores como aumento da demanda por serviços, envelhecimento da população e mau uso dos planos contribuíram para crescimento

 

Embora o número de beneficiários das operadoras de Saúde tenha caído nos últimos anos, principalmente por conta da crise econômica que afeta o Brasil desde 2014, o custo assistencial não para de subir – e a perspectiva para os próximos anos não é nada animadora. Levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) dá conta que, até 2030, os gastos das operadoras com consultas, exames, internações, cirurgias e outros procedimentos devem chegar a R$ 383,5 bilhões, o que significa um avanço de 157,3% em relação a 2017. Conforme o Observatório 2018, da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp), nos últimos 10 anos o valor cresceu 237,5%. Enquanto isso, a diminuição no número de beneficiários é calculada em 3 milhões de pessoas desde janeiro de 2015 pela Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge).

Especialistas destacam três principais aspectos que contribuem para essa elevação, que afeta diretamente a sustentabilidade dos negócios e prejudica o relacionamento com o cliente e a qualidade da assistência na Saúde Suplementar. Saiba mais sobre eles: 

  • Aumento do uso: pesquisas indicam que, no mesmo período avaliado pelo Observatório da Anahp, houve crescimento de 225% no índice de Variação de Custo Médico-Hospitalar (VCMH), também medido pelo IESS e principal indicador utilizado pela gestão de operadora de Saúde como referência sobre o comportamento de custos. Isso significa que os usuários estão recorrendo mais aos planos de Saúde - seja por necessidade ou por indicação equivocada. O coordenador adjunto do curso de medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), Fernando Teles de Arruda, traduz essa elevação em números per capita. “Em 2008 as operadoras de Saúde gastavam, em média, R$ 9,60 por beneficiário. Hoje gastam R$ 15,02”, destaca. 
  • Envelhecimento: o aumento da expectativa de vida também amplia os custos mesmo quando há diminuição no número de beneficiários. Em 2050, a expectativa de vida nos países em desenvolvimento, como o Brasil, será de 82 anos para homens e 86 para mulheres. Essa mudança causará impacto também no perfil epidemiológico do País, provocando elevação das doenças crônicas - que exigem tratamentos por longos períodos e podem gerar agravos com custos maiores, como exames e cirurgias complexas. Ou seja, quanto mais pessoas em uma faixa etária mais elevada, mais gastos as operadoras precisam dispor para tratá-las. 
  • Modelo de remuneração: outra questão que pode levar ao aumento dos custos das operadoras é o modelo de remuneração baseado em serviços, o chamado fee for service.  Arruda explica que, ao receber por quantidade, organizações podem solicitar procedimentos que não são essenciais. “Em média 80% dos gastos em saúde foram autorizados por um médico. É preciso trabalhar controle de custos e apoiar a decisão do profissional em evidências científicas e protocolos clínicos. Nesse sentido, a mudança para um modelo de remuneração que priorize a qualidade da assistência ao invés da quantidade de procedimentos favorece essa conduta.” 

As principais consequências do aumento do custo assistencial são as dificuldades de caixa das operadoras de Saúde e o consequente repasse dos valores para o beneficiário - o que pode agravar a perda de usuários dos planos.

Uma saída vista por Arruda é a criação de uma agenda conjunta com o objetivo de otimizar o relacionamento entre as organizações do setor. Nesse sentido, a integração do sistema de gestão de operadora de Saúde aos softwares dos hospitais, laboratórios e centros de medicina diagnóstica que prestam serviço aos beneficiários é indicada. Com a interoperabilidade, é possível agilizar o processo de autorização de procedimentos e, ainda, monitorar com mais eficiência os serviços prestados ao beneficiário e o pagamento realizado aos prestadores.

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