24 / Março / 2017

5 estratégias de gestão da Saúde Pública para melhorar resultados

Gestão da Saúde Pública

Apostar em parcerias público-privadas, informatização, cuidado individualizado e gestão compartilhada traz maior eficiência ao setor

 

Fazer uma gestão eficiente é um dos principais desafios da Saúde Pública. O gestor lida com condições bem distintas em relação ao ambiente privado, como a burocracia para contratação, que só pode ser feita via processo licitatório, e os impactos de eventuais instabilidades políticas ou fim de mandatos nas políticas administrativas.

Diante desses desafios, é preciso encontrar meios para tornar o trabalho mais eficiente. Os professores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Roberto Tanaka e Laura Macruz, apontam estratégias que se mostraram promissoras na gestão da Saúde Pública. Veja quais são:

- Parcerias público-privadas: uma das alternativas para modernizar a administração é utilizar as parcerias público-privadas que, em princípio, não estão sujeitas às regras da administração pública. A parceria tende a agilizar a compra de produtos a um menor preço, por não ser necessária a contratação via licitação ou por concurso público. Por outro lado, a prática pode acarretar problemas se não bem executada e se não respeitar o teto de gastos impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (nº 101/2000), que demanda uma gestão mais eficiente do investimento repassado. Segundo Tanaka, as PPPs não criam mecanismos de controle efetivos que impeçam abusos do prestador de serviço privado. A parceria também tende a fragilizar a capacidade de controle do gestor público sobre o executor privado.

Contrato de prestadores de serviços: a reposição de pessoal nos serviços a partir das parcerias público-privadas baseado em metas e parâmetros obriga uma lisura da gestão da Saúde Pública. O setor privado tende a ser mais ágil para repor recursos humanos - enquanto no setor público tem que abrir concurso público, muitas vezes sem prazo definido de contratação.

Cuidado individualizado: uma forma de eliminar filas do Sistema Único de Saúde (SUS) e economizar verba é individualizar o atendimento, levando em conta as singularidades de cada paciente e de onde ele vive. Isso evita que a pessoa passe por outros especialistas, diminuindo as enormes filas e espera por exames. “Na política de saúde mental, por exemplo, temos a máxima de colocar o diagnóstico entre parênteses e olhar para o sujeito e criar um projeto para cada um, não algo em massa. É muito mais efetivo olhar, reconhecer as singularidades dos usuários e assim você trata melhor e economiza dinheiro”, afirma Laura Macruz, professora livre docente da Faculdade de Saúde Pública da USP. 

Gestão compartilhada: para se ter êxito na gestão da Saúde Pública, é necessária uma administração que reconheça que é preciso compartilhar. Algumas políticas públicas que deram certo na área envolveram participação de trabalhadores e usuários do sistema de forma muito ativa. A principal característica é colocar o cuidado e as necessidades do usuário em primeiro lugar. Essa relação muda completamente o compromisso e a fidelidade dos pacientes, transformando a gestão. 

Informatização do sistema de Saúde: pela integração dos sistemas de informação é possível detectar indicadores, quantos pacientes entraram, saíram, ver resultados e metas e identificar o desenvolvimento pessoal para, se necessário, profissionalizar funcionários da administração. Com a ferramenta, os gestores de alta e média gerência ficam cientes do que ocorre nos diversos setores de uma instituição de Saúde, desde a UTI até a logística, e, com isso, conseguem de forma mais efetiva otimizar recursos. O prontuário eletrônico do paciente (PEP) e um painel de indicadores, por exemplo, são duas maneiras de usar a tecnologia a favor da boa gestão. No PEP, o principal ganho é a legibilidade da informação dando maior segurança nas prescrições, do receituário e de outras informações transcritas pelo médico e pela enfermagem, que melhora a comunicação entre setores e, com isso, evita gargalos na gestão. O Ministério da Saúde determinou a obrigatoriedade de uma versão reduzida do PEP, o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC),  para todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do País, para garantir acesso aos dados de consultas e procedimentos que envolvem a atenção básica. Já um painel de indicadores, reúne em uma única plataforma as informações que, em formatos gráficos e com cruzamento de dados, trazem uma visão gerencial com alcance maior do que dos relatórios tradicionais, fornecendo painéis que viabilizam a tomada de decisão, desde a mensuração da performance das equipes assistenciais até a definição da localidade mais estratégica para se construir uma nova unidade de saúde.

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