31 / Agosto / 2016

Choosing Wisely: saiba tudo sobre a redução de desperdícios em saúde

Choosing Wisely

É comum o pensamento de que, para o paciente ter o melhor atendimento, o médico deve sempre solicitar exames diagnósticos, mesmo que o exame clínico seja suficiente para identificar a origem do problema. Essa prática tem sido questionada em todo o mundo e deu origem à campanha Choosing Wisely, iniciada pelo American Board of Internal Medicine (ABIM) em 2012, com intuito fundamental de diminuir o desperdício de recursos na saúde.

Quer entender mais sobre esse conceito e saber como colocá-lo em prática? Continue acompanhando nosso post!

A campanha Choosing Wisely

A campanha Choosing Wisely, ou “escolhendo sabiamente”, em uma tradução livre, é uma iniciativa alavancada pela percepção de que há em todo o mundo um excesso de solicitações de exames e, consequentemente, um sobrediagnóstico. Isso origina tratamentos e procedimentos desnecessários, dispendiosos e que não agregam benefícios aos pacientes.

Essa mobilização internacional teve origem nos Estados Unidos, mas hoje em dia está presente oficialmente em vários países, inclusive no Brasil. A campanha conta com a participação de dezenas de entidades médicas, que já publicaram centenas de recomendações sobre evitar testes e tratamentos em demasia e discutir sua necessidade com o paciente, além de diversos artigos em revistas e divulgação na mídia.

As informações compartilhadas também incluem algumas orientações específicas de casos em que exames não são necessários, como:

- técnicas de obtenção de imagem cerebral, como a ressonância magnética, após o paciente sofrer desmaio;

- tomografia computadorizada para confirmação de sinusite;

- Papanicolau em mulheres com menos de 21 anos; e

- Checkup anual quando o paciente é um adulto saudável.

Pontos principais da campanha

O Choosing Wisely não questiona os métodos que são realizados, mas propõe uma reflexão sobre o que deve ou não ser feito. Não se trata de uma crítica ao trabalho dos especialistas, e sim de um incentivo a repensar se determinada conduta é mesmo indispensável e quais são as ações diagnósticas e terapêuticas que podem — e devem — ser evitadas.

Outro ponto que a campanha questiona é a ideia de que, se um determinado procedimento não traz prejuízo à saúde, não há motivos para não realizá-lo. Na realidade, essa prática se baseia apenas no empirismo e no hábito, e não deve ser tomada como verdade.

Um resultado falso positivo, por exemplo, pode trazer consequências indesejáveis à saúde do paciente. Além de ele precisar ser submetido a ainda mais exames e investigações, que exigem certo investimento, o indivíduo ainda passa um estresse emocional que poderia ser evitado.

A campanha também se volta para os pacientes, a fim de combater a ideia de que sair de uma consulta sem solicitação de exames ou prescrição de um tratamento é sinal de desinteresse do médico.

Diminuição dos gastos para as operadoras

Exames diagnósticos e tratamentos envolvem custos altos e, muitas vezes, evitáveis — e quem paga essa conta, geralmente, é a operadora. Por isso, a campanha Choosing Wisely é tão importante para elas.

Um aspecto crucial da campanha é a despesa gerada pela quantidade desmedida de técnicas dispensáveis, e o quanto pode ser economizado caso os especialistas não as requisitem. Isso contribui para diminuir consideravelmente as perdas monetárias para as operadoras de planos de saúde.

Para toda especialidade há uma série de procedimentos que podem ser solicitados — alguns, inclusive, muito onerosos. Cabe ao profissional refletir sobre a importância real de cada um para solicitá-los ou não. Nesse momento, é preciso considerar que, além do desperdício de recursos, tratamentos supérfluos ou inadequados também podem trazer prejuízos para o paciente.

A Choosing Wisely não é a única campanha que promove esse tipo de reflexão. Um outro programa originado nos Estados Unidos conseguiu reduzir em 20% o uso de antibióticos para infecções virais no período de 3 anos, de acordo com informações da ABIM. Essa medida também reduz gastos para as operadoras, principalmente no que se refere aos atendimentos hospitalares.

Quando se trata de saúde, a máxima de que “quanto mais, melhor” nem sempre é adequada. O excesso de procedimentos custa caro e sobrecarrega o sistema de saúde. Além disso, eles também podem colocar a vida do paciente em risco.

Mudanças de paradigmas

É uma prática comum e considerada rotineira a realização de um eletrocardiograma, por exemplo, em um paciente cujos sintomas não correspondem a alguma alteração cardíaca. Ou, ainda, a sua exposição a material radioativo para identificar algo que o próprio médico pode constatar e até mesmo descartar a partir da anamnese, a entrevista inicial realizada pelo profissional em busca de dados relevantes sobre a possível doença.

Esses hábitos são decorrentes de uma cultura segundo a qual um bom atendimento necessariamente inclui tais procedimentos, e é justamente essa cultura que o Choosing Wisely busca mudar.

O sistema de atendimento de cuidados com a saúde atual também acaba forçando muitos médicos a solicitarem os procedimentos. Devido à demanda, as consultas são rápidas e o profissional acaba pedindo uma série de exames para evitar um erro no diagnóstico e um possível processo judicial.

Porém, essas atividades são consideradas inadequadas, e os especialistas precisam refletir sobre a necessidade de exames e usá-los com parcimônia ou evitá-los. Também é importante não permitir que o paciente, por insistência, determine como seu tratamento será conduzido.

Contenção de desperdício de recursos

Outra ideia comum aos beneficiários é que, como eles pagam seus convênios regularmente, devem usufruir totalmente dos recursos disponíveis, mesmo que seja somente para justificar o investimento.

O que poucos sabem é que o exagero desses procedimentos não garante mais saúde ou vida longa. Algumas mudanças de hábitos, como adoção da prática de atividade física e alimentação saudável, apresentam resultados mais efetivos, e é importante que os beneficiários sejam educados quanto a essas questões para que possam tomar a medidas certas para garantir sua qualidade de vida. E levando-se em consideração exclusivamente o critério de sustentabilidade do setor, a racionalização nas solicitações e execuções de eventos desnecessários garantir melhor fluxo de caixa para operadoras, diminuindo o risco de falências e colapso do mercado de saúde suplementar brasileiro.

Dessa maneira, a campanha Choosing Wisely resulta em benefícios para pacientes, evitando procedimentos desnecessários e suas eventuais consequências, e garante grande impacto econômico para as operadoras de planos de saúde, reduzindo o desperdício financeiro, uma vez que são elas as responsáveis por custearem os métodos diagnósticos e os tratamentos.

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