04 / Outubro / 2018

Gestão da Saúde Pública: 4 desafios na atuação do agente comunitário

Os desafios dos agentes comunitários no cuidado da Saúde

Com objetivo de atuar diretamente com o cidadão na promoção do cuidado, profissional enfrenta dificuldades que vão desde o baixo número de agentes até problemas de comunicação

 

O agente comunitário é o braço da gestão da Saúde Pública que atua diretamente com o cidadão. Sua função vai além do cuidado - o objetivo desse profissional, descrito na Lei 11.350, de 2006, e aprimorado na Lei 13.595, de 2018, é ampliar o acesso da comunidade aos serviços de informação, Saúde, promoção social e de proteção da cidadania. Ele integra as equipes multidisciplinares do Programa Saúde da Família (PSF) e tem um papel fundamental em ações de medicina preventiva.

Rodrigo Tadeu da Silva, docente no Instituto de Pesquisa e Educação em Saúde de São Paulo (IPESSP), explica que esse profissional deve ter como foco o conhecimento e a prevenção. “O agente comunitário é de extrema importância em estratégias que contribuem para a queda dos índices de doenças que podem desencadear epidemias ou endemias, agindo de forma profilática junto à população.”

Com as orientações adequadas, há redução nos tratamentos e procedimentos como exames, internações e cirurgias, que são, em geral, mais caros. Além disso, a gestão da Saúde Pública obtém, por meio da atuação do agente comunitário, dados importantes para traçar cenários, prever demandas e melhorar a assistência como um todo.

Para exercer a função, os profissionais encontram uma série de desafios, tais como número insuficiente de agentes, negativa dos cidadãos em recebê-los, problemas de comunicação com gestores e ausência de tecnologias que otimizam o trabalho, entre outros. Silva divide esses desafios em quatro grandes eixos:

  • Estruturais: segundo o Departamento de Atenção Básica (DAB), do Ministério da Saúde, há 264.521 agentes comunitários de Saúde atuando no País (dados de janeiro de 2018). O próprio ministério afirma que o ideal seria que um profissional atendesse em torno de 3 mil pessoas, com visitas mensais às famílias assistidas. Levando em consideração a estimativa populacional do IBGE de 2018, o País contabiliza 209,1 milhão de habitantes, ou seja, há um agente para cada 790 mil pessoas - número distante do ideal. Ainda conforme o DAB, há quase 100 municípios brasileiros que não contam com equipes de Saúde da Família. 
  • Populacionais: dificuldades para encontrar os moradores em casa ou para obter a autorização para a execução das atividades são os principais desafios desse eixo. Problemas na infraestrutura da comunidade que limitam o acesso e vulnerabilidades sociais também são citados pelo especialista. 
  • Administrativos: a falta de padronização dos processos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) é outro limitador do trabalho do agente comunitário, segundo Silva. “Sem clareza no desempenho da função, o profissional pode se deparar com riscos que dificultam a execução do trabalho e prejudicam as estratégias de prevenção e controle de doenças”, destaca. Um dos principais gargalos está na forma de compilar os dados coletados nas visitas domiciliares. Sem uma estratégia clara e organizada, inclusive com ferramentas de inteligência de negócios como Business Intelligence (BI) e analytics, por exemplo, dificilmente a gestão da Saúde Pública conseguirá extrair informações relevantes para a tomada de decisão. 
  • Tecnológicos: problemas de comunicação e ausência de tecnologias que otimizam o dia a dia do profissional, como tablets com acesso à internet e conectados diretamente com o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), fazem com que o trabalho do profissional se torne mais burocrático e sujeito a erros. É preciso anotar as informações em papel, que podem ser perdidos ou danificados. Além disso, na transcrição para o sistema de gestão da unidade e no encaminhamento ao E-SUS, pode haver erros que prejudiquem a qualidade dos dados e, portanto, as estratégias de prevenção. 

Silva destaca que, para minimizar esses e outros desafios, é preciso aliar metodologias de gestão e tecnologias que tragam a mobilidade e conectividade necessárias à função. “Com gerenciamento de processos e indicadores de desempenho, o agente comunitário sabe exatamente quais são suas atividades e o que se espera delas. O uso da tecnologia, como tablets com acesso à internet e conexão direta com os demais sistemas, é outro fator que traz segurança e agiliza a atuação”, cita.

Com a estruturação do serviço, a gestão da Saúde Pública tem dados mais confiáveis para abastecer as ferramentas de inteligência de negócios e, assim, localizar gargalos e ampliar a qualidade do serviço à população.

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