14 / Agosto / 2018

Gestão da Saúde Pública: 4 estratégias para otimizar a assistência farmacêutica

Assistência Farmacêutica

Uso de um sistema informatizado e monitoramento da dispensação de medicamentos são algumas das alternativas para enfrentar os problemas

 

Considerada um dos grandes desafios na gestão da Saúde Pública municipal, a assistência farmacêutica enfrenta diversos problemas como infraestrutura inadequada, má gestão dos espaços e falta de treinamento dos profissionais. As leis de licitação - que requerem, em média, 90 dias para a compra de medicamentos -, e as denúncias dos cidadãos pela ausência de remédios ampliam a complexidade do serviço.

A assistência farmacêutica envolve um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, por meio do acesso aos medicamentos e seu uso racional. Cabe ao município realizar a gestão, ou seja, a aquisição, recebimento, armazenamento, distribuição e dispensação.

Para minimizar os problemas e otimizar o processo, aprimorar o controle de informações para geração de dados estatísticos de qualidade é um caminho. Assim, o planejamento das aquisições será mais adequado à demanda de cada município, evitando desperdício de recursos financeiros na compra de itens de pouco uso.

Conheça outras estratégias que auxiliam a gestão da Saúde Pública:

 

1. Gestão dos medicamentos controlados

A gestão eficiente é fundamental para evitar o uso inadequado de remédios controlados. “Sistemas que apoiem a entrada e saída de itens, com dados de rastreabilidade, evitam situações de consumo indiscriminado e abusivo”, ressalta Fernanda Cavalcanti, professora do curso de Farmácia da Universidade Metodista de São Paulo.

De maneira semelhante à rede privada, a gestão dos medicamentos controlados é baseada na Portaria 344/98, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que prevê que a dispensação deve ser realizada por um profissional habilitado, capacitado pelo farmacêutico, sob sua orientação, e que o medicamento seja acondicionado em local adequado.

Segundo Fernanda, estratégias para melhorar esse processo envolvem treinamentos de atualização dos profissionais. “É importante incentivar terapêuticas não-farmacológicas ou sua associação ao tratamento para que o cidadão se beneficie de menor dose do medicamento”. Assim, os riscos associados ao tratamento diminuem e mais pessoas têm acesso aos remédios.

 

2. Acompanhamento da dispensação para doentes crônicos

Após a adequação dos medicamentos às necessidades do paciente, com ajustes de dose e manejo correto, a tendência é que ele utilize os mesmos remédios por um período prolongado. Atrasos e erros no gerenciamento podem prejudicar a cadeia de ações relacionadas à assistência farmacêutica. “Sistemas integrados de informação apoiam esse gerenciamento, de forma que o indivíduo se beneficie ao ter o medicamento disponível na data correta”, explica a professora. Além do esquema terapêutico, é possível ainda monitorar o acompanhamento da evolução do quadro de pacientes hipertensos, diabéticos e outros casos crônicos com mais eficácia.

 

3. Monitoramento de dispensação por demanda judicial

A dispensação por demanda judicial envolve medicamentos de alto custo e de uso contínuo. Nos casos em que o médico troca o remédio, reduz a dose ou que o cidadão vem a óbito, os medicamentos ficam no estoque e correm o risco de permanecer ali até seu vencimento. “O sistema de gestão integrado agiliza o atendimento de outros cidadãos que tenham necessidades desses medicamentos, evitando custos desnecessários”.

 

4. Uso de um sistema informatizado

De forma geral, um sistema informatizado, que se comunica com a Base Nacional de Dados da Assistência Farmacêutica, ajuda a reduzir desperdícios, amplia a oferta de medicamentos e permite interação entre as unidades. “Além de acompanhar o estoque, o sistema monitora a data de validade e auxilia a realização do remanejamento de itens de uma localidade que está com pouco uso em benefício de outra com risco de desabastecimento”, destaca Fernanda.

 

A gestão informatizada ainda possibilita a integração entre as farmácias de uma mesma rede, impedindo, assim, que o cidadão retire a medicação prescrita em mais de uma farmácia com a mesma receita. Isso porque há o registro eletrônico da retirada do medicamento, permitindo a rastreabilidade com receituário gerado com códigos de barras.

Segundo a professora, com estratégias como essas, há um melhor uso dos recursos financeiros, maior acesso da população ao serviço e menor impacto ambiental ao evitar a incineração de grandes quantidades de medicamentos vencidos.

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