26 / Maio / 2017

Mobilidade muda trabalho de agentes comunitários e gestores de Saúde Pública

Prontuário Eletrônico do SUS

Uso de dispositivos móveis como tablets e celulares, integrados aos sistemas das unidades, facilita rotina da unidade de Saúde

 

O agente comunitário de Saúde, que faz parte da estratégia do Programa Saúde da Família (PSF), do governo federal, atua na promoção da qualidade de vida e prevenção de doenças, mapeando e encaminhando pessoas que necessitam do serviço de Saúde Pública. Seu trabalho ocorre nos chamados territórios, áreas da cidade onde os agentes visitam famílias e registram dados. O dia a dia desse profissional ainda é baseado em caneta e papel. Mas, para especialistas, a tecnologia pode otimizar a rotina e trazer benefícios aos cidadãos atendidos pelo PSF.

Ferramentas como tablets ou celulares auxiliam o agente a recolher e armazenar os dados de maneira otimizada, segundo Andrea Coscelli, especialista em Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). “Um agente comunitário é responsável por, ao menos, 120 famílias. Em todas as visitas, ele tem uma lista de perguntas, que auxilia na identificação das condições daqueles cidadãos. Se ele contar com um aplicativo para preencher esse questionário e já inseri-lo no sistema da unidade de Saúde, isso agiliza toda a demanda.”

A tecnologia também diminui o tempo gasto para inserir os dados no sistema computadorizado do E-SUS. “Esse tempo pode ser revertido para benefício dos cidadãos, ampliando a qualidade do atendimento do agente”, considera a especialista.

 

Integração

Para que os dados sejam encaminhados diretamente ao E-SUS, é necessário que a ferramenta esteja integrada ao sistema da unidade.

Com essa integração, o agente comunitário insere dados diretamente no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), ampliando as informações sobre os indivíduos e, também, sobre a população como um todo. Essa tecnologia pode auxiliar na identificação de epidemias e fornecer dados importantes para que o gestor de Saúde Pública saiba como controlá-las.

Para André Mota, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a adoção de dispositivos móveis apresenta outra vantagem: a comunicação em tempo real entre agentes comunitários e gestores. “É possível localizar o agente dentro do território, ter informações disponíveis sobre cada cidadão atendido e também sobre o território em questão. Tudo isso impacta de forma positiva o trabalho do profissional.”

 

Treinamento

A especialista em Saúde Coletiva da USCS acredita que o treinamento é parte essencial da implantação das tecnologias. É necessário que cada um tenha responsabilidade ao inserir dados no sistema e saiba de que forma essas informações são utilizadas. “Contar com a adesão dos agentes não é difícil a partir do momento em que os gestores mostrem que os dispositivos são facilitadores do trabalho. Atualmente todo o mundo está familiarizado com o uso de celulares, portanto, não seria difícil promover a adesão.”

Ela destaca ainda a necessidade de os gestores se prepararem para a nova realidade, tanto quanto os agentes comunitários. “As decisões antes tomadas em reuniões semanais podem ser imediatas a partir dos dados obtidos pelo agente comunitário in loco e inseridos na rede. A tecnologia muda também a dinâmica de trabalho dos gestores do PSF, que precisam se adaptar à nova realidade e pensar de forma ainda mais dinâmica e estratégica.”

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