21 / Fevereiro / 2019

RES: o que é e como adotá-lo na Saúde Pública

saúde pública, res

O Registro Eletrônico de Saúde (RES) consiste em um banco de informações sobre diretrizes de conduta da saúde individualizada, criado de forma inteligente e articulada. Essa tecnologia promove o acompanhamento da qualidade de vida da pessoa, aconselhando-a sobre a importância de se manter saudável, visando a criação de um ambiente ampliado de qualidade de vida e bem-estar nas redes de atenção à Saúde. 

O RES é um sistema completo para o registro das etapas de atendimento dos cidadãos, criando assim um histórico desse indivíduo, que facilita e melhora a qualidade da assistência. Utilizada de maneira correta, a ferramenta de registro de Saúde diminui erros médicos e aumenta a segurança do cidadão, sobretudo quando ele é atendido por múltiplos profissionais. Além disso, o sistema traz mais controle à gestão da Saúde Pública, já que facilita as atividades administrativas e, assim, reduz custos. 

"Os RES são intervenções complexas, cuja implementação depende de uma intensa mobilização de recursos financeiros, tecnológicos e humanos", comentam José Felipe Riani Costa, pesquisador em Saúde e especialista em regulação de saúde suplementar da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e Margareth Crisóstomo Portela, professora doutora em Health Policy and Administration e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz, no artigo científico "Percepções de gestores, profissionais e usuários acerca do registro eletrônico de Saúde e de aspectos facilitadores e barreiras para a sua implementação", publicado na revista científica Cadernos de Saúde Pública (CNS). 

O estudo se baseou em entrevistas semiestruturadas com gestores de Saúde Pública, que comentaram sobre os benefícios do RES para a gestão hospitalar. "No que se refere ao impacto do Registro Eletrônico no tempo de atendimento, houve opiniões de que, a depender das características dos registros, dos computadores e da rede de internet, a adoção pode colaborar tanto para tornar o atendimento mais rápido quanto contribuir para atrasos e aumentar a carga de trabalho dos profissionais de saúde", cita o texto. 

Um bom sistema de registro de Saúde facilita a padronização dos dados e os torna acessíveis em um único repositório. Se bem usado, ganha-se mais produtividade e evita-se o desencontro de informações. Agora, se utilizado com processos mal definidos, pode acarretar em confusões e atrasos, além de aumentar a carga de trabalho dos profissionais. Para isso, antes da adoção do sistema é necessária uma clareza dos processos da instituição pública. 

Os especialistas destacam alguns desafios para a implantação do RES nas instituições, principalmente por conta da burocracia que dificulta processos. "Essa trama de perspectivas e visões reflete a complexidade da implementação do RES, que perpassa por mudanças culturais e envolve recursos, relações de poder e interesses políticos e econômicos. [...] Os resultados evidenciam a perspectiva sociotécnica envolvida na implementação dos registros, abrangendo aspectos tecnológicos, pessoais, organizacionais e sociais." 

Um estudo do Gartner Group, publicado em material do Ministério da Saúde, mostra as prioridades dos cidadãos no uso da administração pública eletrônica, ou seja, o que as pessoas desejam fazer pela internet. Dos nove principais desejos, dois estão relacionados com a saúde: a marcação de consultas médicas e o acesso ao registro de Saúde. 

Conheça as principais obrigações da pasta federal com o RES nacional: 

  • Coordenar a adoção do RES no Brasil; 
  • Adotar e disseminar os padrões de referência e terminologias; 
  • Criar diretrizes de médio e longo prazos; 
  • Prover recursos e criar incentivos para a adoção do RES nacionalmente; 
  • Prover um barramento nacional/regional de integração e interoperabilidade para a Saúde conforme os padrões adotados; 
  • Prover e manter sistemas estratégicos para o SUS. 

O Registro Eletrônico de Saúde também contribui para estratégias de humanização, já que o cidadão também tem acesso a algumas de suas funcionalidades, como cópias de exames, por exemplo. Isso faz com que a participação do indivíduo no cuidado com sua própria saúde seja maior. Além disso, a ferramenta facilita a comunicação entre a gestão da Saúde Pública e o indivíduo, ampliando a satisfação com os serviços. 

Interoperabilidade 

Pelo sistema de registro também é possível fazer a integração e intercâmbio de informações com laboratórios, farmácias e fornecedores. Dessa maneira os processos operacionais são otimizados, economizando recursos, papel e tempo. A ferramenta abre a possibilidade das instituições de Saúde Pública compartilharem os dados entre si.

Com isso, o atendimento ao cidadão é agilizado, diagnósticos ganham mais precisão e até mesmo medicamentos são distribuídos de maneira mais rápida e assertiva. Ainda é possível prever a reposição de insumos sem a necessidade de intervenção humana.

Toda essa automatização melhora a produtividade e evita erros e retrabalho de um lado, promovendo ganho de qualidade na assistência do outro.

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