04 / Setembro / 2018

Valor na Saúde: transformação digital coloca o paciente no centro do negócio

Paciente no centro do cuidado

Tecnologias otimizam experiência do paciente, mas modelo de remuneração e metodologias de gestão ainda precisam ser modernizadas para trazer valor à assistência

 

Muitos são os desafios para se colocar o paciente no centro dos negócios da Saúde. Um dos principais é o entendimento do próprio paciente sobre o que é esse valor. Outro é a mudança dos modelos de remuneração, pois o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para migrar para o pagamento por performance - que passa, essencialmente, por um amadurecimento da gestão. A transformação digital é um caminho para alcançar esses objetivos, desde que a tecnologia seja utilizada como meio para ganho de eficiência e melhoria na qualidade da assistência ao paciente - principal interessado nessa mudança.

As estratégias para colocar o paciente no centro do negócio devem passar por uma medicina mais humanizada e segura, contratos entre operadoras e prestadores claros e modelos de remuneração na Saúde com foco em resultados. Para Carlos Sverdloff, especialista em gestão da Saúde e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a aplicação de conceitos de Experiência Relatada pelo Paciente (Patient Reported Experience, PREMs) e Desejos Reportados pelo Paciente (Patient-Reported Outcome Measure, PROMs) são fundamentais para aprimorar a assistência. "O cuidado envolve uma série de processos, como hotelaria, recepção, faturamento e tratamento, por exemplo. Todos podem ser avaliados em relação à experiência do paciente, medindo o valor de cada um deles para o resultado final", explica.

O relacionamento entre instituição e paciente é fortalecido com a adoção dos conceitos de PREMs e PROMs, já que é mais simples identificar as iniciativas que estão dando certo e aquelas que são pontos de melhoria. Sverdloff comenta que a implementação é descomplicada. "Consiste em uma série de perguntas feitas ao paciente para avaliar a experiência completa, que podem ser aplicadas quando ele está prestes a ter alta, por exemplo, ou depois que ele está curado. Hoje essas informações são coletadas por telefone, mas a tecnologia já começa a automatizar esse processo, transformando essas informações cruciais em dados digitais."

No webinar "A pessoa no centro do cuidado", realizado no dia 20 de julho como parte da Semana da MV, Daennye Bezerra, gerente de produtos assistenciais da MV, lembrou de algumas tecnologias que podem auxiliar na missão de colocar, cada vez mais, o paciente no centro do negócio. "Hoje temos diversos sistemas de Prontuário Eletrônico do Paciente que são diretamente ligados aos sistemas de laboratórios de medicina diagnóstica, por exemplo. Todas as informações do pacientes são levadas para o sistema em tempo real. E ele próprio pode ter acesso a esses dados também, por meio de aplicativos. No momento em que um exame fica pronto, por exemplo, o sistema já avisa o paciente e o profissional responsável por ele também", esclarece.

 

Desafios

Outro desafio rumo ao paciente no centro do negócio é compreender que esse modelo não impacta no lucro. É evidente que será preciso uma adaptação de fornecedores, operadoras e prestadores, como explica, em participação no webinar, o fundador e presidente do Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente (IBSP), Dario Ferreira. "Quando introduzo o cuidado como método e todas as minhas decisões são baseadas no paciente, consigo alinhar os interesses das instituições. O lucro das instituições deve ser vinculado ao bem-estar do paciente. A gente precisa parar de vender serviço e focar no que realmente importa na saúde desse indivíduo.”

O professor Carlos Sverdloff lembra que a questão da remuneração é fundamental para tirar o foco do setor da doença. "Os contratos devem ser baseados em valor. Isso com todos os stakeholders da cadeia, desde a farmácia até o paciente. Hoje alguns hospitais se tornaram boutiques de serviços, tentando oferecer itens diferenciados, mas que, muitas vezes, não são necessários."

 

O valor da Saúde

Para chegar a um sistema que realmente atribua valor aos pacientes, os usuários devem entender que, muitas vezes, prevenção não significa adquirir mais serviços. A discussão sobre a medicina 4P - conceito que prevê assistência baseada em preditividade, prevenção, participação e personalização - está em alta nos últimos anos e, aliada a um modelo mais moderno de remuneração, fará com que o sistema de Saúde forneça, efetivamente, garantia de qualidade de vida, este o principal valor para o paciente.

Assista ao webinar A pessoa no centro do cuidado, realizado durante a Semana da MV, e aprofunde a discussão.

Assista, também, aos webinar “A evolução da tecnologia como meio para alcance de objetivos e resultados” e “Operadoras e prestadores de serviços readequando modelos de gestão e relacionamento”, realizados durante a Semana da MV.

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