07 / Agosto / 2020

Como lidar com os custos da Saúde após crises como a atual pandemia

Como lidar com os custos na Saúde após crises como a atual pandemia_blog

Setor, que é um dos mais atingidos, deve aceitar mudanças como fator de sobrevivência.

Épocas de adversidade sempre estiveram presentes na história da evolução humana. A Covid-19 não apenas se tornou uma ameaça à Saúde como estabeleceu crises econômicas e de governança global. Ainda que a pandemia tenha fortalecido o isolacionismo social e intensificado um recuo temporário da globalização, também estimulou o surgimento de uma nova onda de cooperação internacional, semelhante à ocorrida no pós Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, o momento que é de instabilidade e imprevisibilidade torna fundamental a conscientização de pessoas e instituições para as mudanças. Aceitá-las e promover adaptações para, por exemplo lidar com os custos da Saúde, é agora fator de sobrevivência.

A conjuntura que resultou em redução de receitas e aumento de custos tem inúmeras causas, dentre as quais, três se destacam:

1. Aumento da população idosa na carteira de beneficiários das operadoras de Saúde, o que implica em maiores despesas com assistência, seja pela complexidade do perfil de morbidade e perda da capacidade funcional desse grupo ou pela maior frequência de utilização, duração e intensidade do recurso empregado no tratamento;

2. Sobrecarga de leitos de UTI pelo volume de doentes acometidos pela Covid-19 e a relação direta disso com a menor rotatividade de ocupação hospitalar;

3. Demandas reprimidas de cirurgias eletivas que foram suspensas em decorrência da pandemia, gerando perdas de receita e um cenário que pode englobar diagnósticos mais onerosos e, principalmente, mais graves devido à demora no atendimento programado.

Como o novo coronavírus também deixou evidente o déficit de leitos públicos e privados, a desigualdade geográfica desses recursos e outras fragilidades do sistema, a elevação dos custos da Saúde será inevitável a partir do aumento do valor cobrado por procedimentos médicos que, futuramente, serão repassados às operadoras de Saúde. Apesar do congelamento nos reajustes dos preços de medicamentos – conforme Medida Provisória nº 933 de março de 2020 – e dos planos de Saúde – ainda em discussão a partir de um projeto de lei e de uma recomendação da FenaSaúde e da Abramge –, tais medidas posteriormente apresentarão as devidas correções ao setor.

Apesar de tudo isso, algumas tendências no pós-crise podem ser encaradas como oportunidades. A mudança de cultura relacionada a busca por uma vida mais saudável, os cuidados com a higiene básica e as precauções nos ambientes públicos, por exemplo, podem levar a uma maior percepção da necessidade de incremento da medicina preventiva e até mesmo de investimentos em recursos que parecem não ter relação com a saúde, mas estão diretamente associados: como o saneamento básico.

Além disso, a iminente infecção pelo novo coronavírus torna necessária por parte das operadoras de Saúde a oferta de planos que englobam atenção primária e grupos específicos (idosos, por exemplo). Com foco na integralização do cuidado, essas estratégias podem promover maior eficiência na gestão de operadoras e, de forma geral, nos custos da Saúde.

Nesse novo normal, dois desafios se destacam junto aos gestores do setor:

1- Entendimento do mercado: saber diferenciar aqueles que vendem mais caro por aproveitamento de outros que, se não elevarem os preços, provarão a bancarrota.

2- Restrição de custos: no novo normal, tudo é importante, mas restringir os custos é e será muito mais. Sejam operadoras de Saúde, serviços hospitalares, órgãos municipais e estaduais, clínicas, consultórios, SADTs ou fornecedores de insumos... quem não adotar a prática, vai quebrar. Nessa conjuntura, não basta saber calcular – atividade típica de um contador. É hora de saber conter. Esse é o papel do gestor que, para isso, pode utilizar ferramentas simples que permitam flexibilizar e simular os diversos cenários com rapidez.

 

Por Eduardo Ceccon

Especialista em Finanças, Controladoria, Auditoria e Gestão Empresarial e consultor na MV. Sua atuação na empresa ao longo de mais de 17 anos conduz os clientes da área da Saúde a verdadeiras mudanças de paradigmas.

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