16 / Setembro / 2016

mHealth na luta para salvar vidas em catástrofes e desastres ambientais

Por Paulo Magnus*

Desastres ambientais – como o que atingiu a cidade de Mariana (MG) no final do ano passado – , catástrofes naturais – tal qual o recente terremoto que deixou 661 mortos no Equador -, e conflitos, como o da Síria, têm em comum a necessidade de mover um grande aparato assistencial em um curto período de tempo, para garantir ao menos o cuidado primário às vítimas.

Já que a imprevisibilidade é um fato em situações como essas, a provisão de serviços de saúde fica ainda mais complexa. Porém, o uso da tecnologia, especialmente dos dispositivos móveis – tendência conhecida como mHealth (saúde móvel) – tem ajudado a enviar alertas, levar assistência e dimensionar os postos de atendimento mais rapidamente.

De acordo com um boletim da Organização Mundial de Saúde (OMS): “a difusão de novas tecnologias em países de baixa e média renda é, comumente, um mix de apropriação, difusão e, frequentemente, uma das fases de desenvolvimento observadas em países ricos é pulada. Um exemplo é a penetração dos celulares nestes locais com menos recursos, mesmo antes do desenvolvimento de uma rede de telecomunicações abrangente. As oportunidades oferecidas pelos muitos aparelhos nessas localidades têm estimulado o entusiasmo pela mHealth. Em geral, os projetos são relativamente democráticos, têm poucas barreiras de entrada e são capitalizados pelos celulares que já pertencem às pessoas.”

A disseminação rápida das informações com a mHealth apoia a comunicação entre as equipes com atuação local e as de retaguarda; favorece a segunda opinião ou tomada de decisões a distância por profissionais mais especializados; permite o dimensionamento dos danos e o planejamento dos recursos a serem empenhados naquela ação – especialmente se a iniciativa estiver atrelada a um sistema de gestão de saúde pública – ; ajuda a identificar vulnerabilidades e avaliar riscos; e estimula iniciativas de educação da população.

No recente surto de Ebola na África, o Senegal conseguiu estancar o progresso da doença, que ficou restrita a apenas um caso, com uma iniciativa de saúde pública rápida e abrangente: 4 milhões de SMS foram enviados para alertar a população sobre os perigos do vírus e estimular que casos suspeitos fossem reportados.

Mas a tecnologia, sem uma estratégia e gestão eficaz por trás, tem pouca efetividade. Uma transformação como essa pede, antes de tudo, uma mudança de mentalidade. Você está preparado?

*Paulo Magnus é presidente da MV.

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