31 / Maio / 2017

O que é preciso para se tornar uma operadora de Saúde sem papel

Operadora sem papel

Além de ferramentas de TI, abolir caneta e papel requer mudança de processos e cultura organizacional

 

Apesar do movimento rumo à Saúde Digital, há poucas operadoras de Saúde sem papel, ou paperless - aquelas que conseguiram abolir de vez o uso de fichas, vias e guias em papel -, no Brasil. Ter um ambiente informatizado não é suficiente para que a transformação ocorra: segundo especialistas, é necessária uma mudança de mentalidade.

Aimar Lopes, docente da pós-graduação em gestão hospitalar do Centro Universitário São Camilo, acredita que é necessário aliar o investimento em ferramentas tecnológicas à mudança de processos e à adoção da cultura digital. “Retirar o papel deve ser uma decisão estratégica, que parte dos altos executivos da empresa para os demais funcionários. Só dessa forma é possível engajar os profissionais de todos os departamentos, do atendimento direto ao backoffice”, destaca.

Segundo o docente, a primeira etapa é mapear a trajetória do beneficiário dentro do sistema de Saúde, a fim de identificar quais processos utilizam papel e como alterá-los para que se tornem digitais.

Feito o levantamento, é hora de escolher as ferramentas de hardware e software que serão utilizadas, entre elas um sistema de autorização eletrônica com controle biométrico ou facial a ser disponibilizado à rede credenciada, evitando-se assim a necessidade de impressão de guias e coleta de assinaturas.

A adoção de um software de gestão também é indicada para a melhoria dos processos de todos os setores da operadora de Saúde, que passam a ser controlados e armazenados de forma digital.

Também se faz necessário, de acordo com o especialista, treinamento para que se saiba de que forma realizar os registros no sistema informatizado, além de garantir os cuidados necessários para preservar a segurança das informações dos beneficiários.

Por fim, adotar a certificação digital é uma obrigatoriedade que auxilia na garantia jurídica dos documentos eletrônicos e oferece ganhos em segurança para médicos e pacientes da rede credenciada, uma vez que a otimização do processo garante a integridade da informação e dos procedimentos realizados.

 

Desafio da integração

Tornar uma operadora de Saúde sem papel inclui alterar também a forma como ela se comunica com seus parceiros. Se não houver integração entre os sistemas utilizados pela operadora e sua rede, como fornecedores, hospitais, laboratórios e centros de medicina diagnóstica, abandonar o papel pode ser mais difícil.

“A integração é a chave do conceito de operadora de Saúde paperless. É preciso que as informações do beneficiário estejam disponíveis em todas as organizações de Saúde pelas quais ele passa. Sem essa integração, não é possível que a operadora autorize um exame para ser realizado em um laboratório terceirizado sem fazer uso do papel”, comenta Lopes.

Para o futuro, o especialista acredita que será necessário adotar padrões, por meio de legislações específicas, que deverão ser seguidos em toda a rede de serviços de Saúde. “Isso já acontece em algumas empresas e instituições bancárias. Existem no Brasil, por exemplo, companhias de seguros que são totalmente paperless. A tendência é que o mesmo ocorra com as organizações de Saúde”, explica. O padrão Troca de Informações na Saúde Suplementar (TISS) já atende boa parte desses requisitos, mas não abrange a totalidade das mudanças necessárias.

 

Exemplo internacional

A operadora de Saúde norte-americana Oscar Health é um exemplo de sucesso dentro do conceito paperless. A empresa, que começou há apenas quatro anos, já vale quase R$ 6 bilhões. Nasceu em Nova York com foco no público jovem, acostumado a fazer tudo online. Oferece, inclusive, serviço via celular para saber, de acordo com os sintomas descritos pelos beneficiários, se eles devem marcar uma consulta e com qual especialista.

No aplicativo da operadora há também um buscador da rede credenciada que inclui avaliações dos médicos por outros pacientes e informações sobre esses profissionais, como, por exemplo, onde eles se formaram e interesses pessoais. O usuário ainda pode agendar uma consulta diretamente pelo aplicativo, entre outros benefícios.

O especialista do Centro Universitário São Camilo acredita que há espaço no Brasil para o desenvolvimento de operadoras de Saúde sem papel como a Oscar Health. “É necessário realizar alguns ajustes na legislação e fazer investimentos, e sabemos que a crise financeira que assola o País pode dificultar um pouco esse processo. Mas aqueles que decidirem adotar o conceito de operadora sem papel sentirão no dia a dia as melhorias no processo de atendimento como um todo e a redução expressiva de gastos com papel”, garante.

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