17 / Outubro / 2019

Os 4 níveis de maturidade no caminho rumo ao Hospital Digital

HIMSS, Saúde Digital, Infram, prontuário eletrônico

Identificar em qual estágio a organização se encontra e planejar onde quer chegar são passos recomendados por especialista para avançar na transformação da Saúde

 

Alcançar a chancela de Hospital Digital da Sociedade de Informação em Saúde e Sistemas de Gestão (Healthcare Information and Management Systems Society - HIMSS) é a meta de muitas organizações brasileiras comprometidas com a transformação digital. Mas, como cada uma tem suas particularidades e desafios específicos, é preciso, primeiro, entender qual o nível de maturidade digital da instituição para, então, refletir e decidir sobre como serão conduzidos os projetos em prol da Saúde Digital

Claudio Giulliano, CEO da Folks, destaca que há quatro níveis de maturidade digital das organizações: 

1- Tradicional: não há uma estratégia digital definida. As lideranças e a equipe não estão preparadas para as transformações exigidas para se alcançar o Hospital Digital e, por isso, a maior parte dos serviços e aplicações não são digitais. 

2- Evolução: a instituição já iniciou a jornada digital, contando com soluções como um sistema de gestão ou prontuário eletrônico, mas ainda pouco integradas. Mesmo assim, as lideranças já entendem que a transformação digital é essencial. 

3- Sofisticação: a instituição já está colhendo os frutos da transformação digital, com uma estratégia clara e o engajamento dos colaboradores. Boa parte dos serviços e aplicações já é digital, e há integração entre alguns deles, como, por exemplo, o PEP e o Sistema de Informação em Radiologia (Radiology Information System, RIS). 

4- Inovação: a instituição alcançou níveis avançados em serviços digitais, com uma estratégia para criação de novos negócios baseados na tecnologia e avaliando o impacto em ciclos de melhoria contínua. Há uso de tecnologias disruptivas, como internet das coisas, inteligência artificial e aplicativos. 

Passos 

A maioria dos gestores brasileiros ouvidos em um levantamento apresentado no MV Experience Fórum, evento promovido pela MV em agosto de 2019 com o objetivo de compartilhar conhecimentos e experiências para desenvolver e disseminar as melhores práticas, destaca que a instituição que administram está na fase de evolução. É preciso, portanto, avançar em aspectos que vão além da tecnologia, incluindo mudanças em processos, governança e capacitação de colaboradores, entre outras. Giulliano cita o passo a passo para chegar lá: 

  • Avaliação de maturidade: o primeiro passo para chegar ao Hospital Digital é realizar a avaliação de maturidade - que pode tanto ser feita por consultoria externa quanto pela equipe interna. Devem ser avaliados indicadores em cinco grandes dimensões: serviços e aplicações, dados e informações, arquitetura e infraestrutura, estrutura e cultura e, por fim, estratégia e governança. Para conduzi-la internamente, o especialista indica o uso dos sete modelos de maturidade da HIMSS como guia, avaliando o que a organização já possui e o que precisa implementar para alcançar as mais altas chancelas, incluindo aspectos que envolvem não apenas as tecnologias, mas também os processos e os colaboradores da organização.  
  • Planejamento: feita a avaliação e identificados os gaps dentro desses cinco pontos, o próximo passo é elaborar um planejamento com o objetivo de solucionar as deficiências e evoluir a maturidade digital. Aqui Giuliano destaca que devem ser colocados em prática os modelos de maturidade da HIMSS que serviram como base para a avaliação da maturidade. Esses modelos preveem desde adoção de tecnologias relacionadas ao ciclo da medicação até supply chain. “Se identificamos que há gargalos de infraestrutura, por exemplo, o caminho é a chancela Infram [INFRastructure Adoption Model, ou Modelo de Adoção de Infraestrutura], a fim de estabelecer um padrão para a correta e adequada aquisição de infraestrutura no Hospital Digital”, exemplifica. O especialista lembra, ainda, que é preciso investimento para viabilizar as transformações - e os recursos também devem entrar no planejamento da organização. 
  • Engajamento e liderança: o projeto para ampliar a maturidade digital da organização é, em geral, conduzido pela TI. Mas, sobre isso, Giulliano faz um alerta: o departamento deve ter a capacidade de influenciar e liderar grandes mudanças na instituição, porque um projeto desse tipo não envolve só tecnologia, mas sim transformações em processos, na forma de se utilizar a informação, entre outras. O engajamento de todos os colaboradores é considerado crucial pelo especialista para que as mudanças, de fato, aconteçam. “Não adianta fazer a transformação digital da instituição se os colaboradores continuam analógicos. A gente tem de transformar, também, os profissionais. E a etapa número um é capacitação e treinamento, para que todos saibam o que a tecnologia é capaz de oferecer.” Além disso, outra boa alavanca para engajar os funcionários é o compartilhamento da estratégia corporativa - desde que ela seja pautada pela transformação digital e patrocinada pela alta direção. É preciso, também, ter uma gestão que valorize as iniciativas de inovação e a participação dos colaboradores de todos os níveis em comitês e em testes de implementação das ferramentas. 
  • Implementação: com o planejamento de curto, médio e longo prazo traçado, está na hora de fazer a implementação do projeto, que consiste nos detalhes finais para alcançar as chancelas mais altas da HIMSS, ou seja, os estágios 6 e 7 da certificação Electronic Medical Record Adoption Model (EMRAM). Trata-se do modelo para implementação de bancos de dados médicos, que deve ser seguido pelas instituições de Saúde para a concessão da chancela de excelência do Hospital Digital. É nesse ponto que os sistemas começam a rodar e, também, no qual é necessário avaliar cada processo para que ele seja adaptado e funcione com a tecnologia como meio para obtenção dos resultados. 
  • Capacitação: esta etapa deve ser feita em conjunto com a implementação, consistindo no treinamento dos colaboradores que foram engajados anteriormente para o uso da tecnologia. É por isso que o engajamento é fundamental: sem ele o treinamento se tornaria uma obrigação, ao passo que no momento em que o profissional envolvido entende os ganhos da tecnologia, a chance de ele se comprometer com o aprendizado e uso das ferramentas é muito maior. Giuliano recomenda ainda que haja participação ativa dos colaboradores nos projetos com vistas ao Hospital Digital. Isso significa ouvir as equipes médicas, de enfermagem, da farmácia, administrativas, e garantir o engajamento de todos, pois, sem o que ele chama de transformação digital do profissional, não há transformação da instituição. 

Giulliano finaliza explicando que o Hospital Digital não é, portanto, um projeto exclusivo de implementação de tecnologia. Ele depende, essencialmente, de pessoas para trazer os resultados esperados pela organização. 

Benefícios 

A digitalização de processos representa uma revolução na Saúde. Desde que a transformação digital se tornou o principal caminho a ser seguido, as instituições estão se movimentando para adotar posturas em prol da qualidade da assistência e dos resultados financeiros. A tecnologia, então, serve como o meio que possibilita um tratamento mais assertivo e seguro e, ao mesmo tempo, fornece dados preciosos para a tomada de decisões estratégicas de gestão. Conheça os avanços das organizações brasileiras rumo ao Hospital Digital no report "TI em Saúde transforma hospitais".

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