15 / Janeiro / 2019

Como e por que integrar sistemas de imagens médicas

Imagens médicas

Integração com prontuário eletrônico facilita acesso aos exames e auxilia em um diagnóstico mais rápido para um tratamento mais eficaz

 

Quando se popularizaram, por volta dos anos 2000, os sistemas de imagens médicas eram, em geral, independentes entre si. Muitos vinham inseridos em equipamentos de coleta das imagens, tornando a integração a outras tecnologias um grande desafio pela diversidade de leituras e formatos de arquivos. Ao longo do tempo, eles evoluíram para modelos mais complexos, que envolvem também o arquivamento e compartilhamento das imagens. Hoje o sistema PACS (Picture Archiving and Communication System) é cada vez mais comum nos ambientes que envolvem serviços de radiologia em geral, tanto nos centros de medicina diagnóstica quanto em clínicas e hospitais. 

Fernando Arruda, professor e coordenador adjunto do curso de medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), explica que os exames de medicina diagnóstica são divididos em três fases: 

  • Pré-analítico: realiza o cadastro do cliente, registra quem solicitou o exame e inclui dados pessoais como endereço, cartão de Saúde, entre outros; 
  • Execução/Analítico: realiza a coleta da imagem e registra no sistema, deixando-a apta para a elaboração do laudo; 
  • Pós-analítico: elabora o laudo e faz o compartilhamento do exame em rede ou em nuvem. 

Segundo o especialista, a integração visa manter essas três etapas dentro da mesma plataforma, facilitando o dia a dia dos profissionais. "A melhor forma de integração é um sistema que torna essa operação de cadastrar a pessoa, executar o serviço, laudar e compartilhar unificada, permitindo, inclusive, que os dados gerados sejam interligados a outras tecnologias presentes na organização." 

Além do fator interoperabilidade, os processos operacionais devem estar bem claros para que a integração seja bem sucedida. Para o professor, processos isolados ocasionam uma espécie de isolamento tecnológico na instituição. "É preciso olhar para a organização como um todo, e não para o serviço. A radiologia sempre trabalhou com tecnologia, era comum que esse serviço tivesse sistemas instalados e articulados, mas desintegrados do restante da instituição, já que a implementação foi feita olhando o serviço e não a instituição." 

Arruda detalha o passo a passo para uma implantação e integração bem feita dos sistemas de imagens médicas

  • 1° passo: definir a meta da integração no planejamento estratégico da organização para que não aconteça em formato de ilha, ou seja, somente um setor se informatize e fique isolado dos demais. 
  • 2° passo: clareza do parque tecnológico da instituição. O compartilhamento das imagens depende de um meio de transmissão adequado, seja via cabo, fibra ou nuvem. As máquinas que podem acessá-las também dependem de certas configurações, que precisam estar definidas e em pleno funcionamento, já que esses sistemas usam alta densidade de dados; 
  • 3° passo: após analisar o que já existe, a instituição deve avaliar o que ainda precisa para promover a integração. A escolha do software tem que levar em consideração o que já existe na instituição, tanto em termos de processos quanto de tecnologias. Além de integrar os sistemas de imagens médicas entre si, é preciso uma interface com o prontuário eletrônico da instituição, a fim de otimizar o apoio ao diagnóstico. Esse modelo só é possível se ele também conversa com os sistemas de gestão, sejam eles o Sistema de Informação em Radiologia (Radiology Information System  - RIS) ou o software do hospital. 
  • 4° passo: treinamento das equipes. Os profissionais devem ser capacitados e engajados para o pleno uso das ferramentas, de forma a gerar dados de qualidade que vão impactar na melhoria da assistência e também da gestão. 

Para o especialista, o sistema PACS organiza as informações de forma eficiente, otimizando o trabalho dos profissionais envolvidos no diagnóstico e também da gestão. "Com ele a medicina diagnóstica ganha processos mais lógicos, claros, enxutos e concentrados no mesmo software. Essa opção facilita o compartilhamento e promove ganho de tempo." 

Arruda esclarece ainda que o ganho de tempo é aliado da assistência. “O acesso ao laudo e à imagem é facilitado pelo PACS, o que otimiza a tomada de decisão e o posterior tratamento. Em alguns casos, essa pode ser a diferença entre a vida e a morte.” Além disso, com a nova legislação brasileira de proteção de dados, a LGPD, que obriga que o paciente autorize o uso de seus dados, reunir todas as informações na mesma plataforma facilita o trabalho de gestão. 

Integrar os sistemas de imagens médicas, portanto, torna-se um caminho natural para as instituições que planejam ingressar na era da Saúde digital.

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