08 / Maio / 2018

Falta de dados qualificados dificulta estratégias de gestão da Saúde Pública

Dados na Saúde Pública

Implementação de tecnologias para armazenamento e análise das informações é o primeiro passo para melhorar o atendimento à população, reduzir custos e otimizar fluxos de serviços

 

A ciência de dados ganha, aos poucos, status de ativo fundamental para o planejamento estratégico de negócios dos mais diversos setores, incluindo a Saúde. Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2030 a população brasileira deve crescer 10%, chegando a 225 milhões de habitantes. À medida que o número de cidadãos dependentes do SUS aumenta, a gestão da Saúde Pública estadual precisa evoluir para garantir assistência.

A análise de dados pode ajudar a organizar o fluxo de trabalho de hospitais, consórcios intermunicipais e centrais de regulação, entre outros serviços geridos pelo Estado, além de direcionar a criação de políticas públicas que objetivam a melhoria da assistência. No entanto, o que ocorre é que a maioria dos 308.683 estabelecimentos de Saúde brasileiros não possui uma forma estruturada de coletar esses dados. Muitos ainda funcionam com prontuários de papel ou, quando têm informações digitalizadas, são sistemas que não conversam entre si, não se integram e, por isso, não alcançam a qualidade necessária para que os dados se transformem em informações estratégicas.

A central de regulação, por exemplo, tem como objetivo monitorar vagas em leitos e atendimento especializados, agilizando a marcação de consultas e exames e a transferência de pacientes em estado grave de saúde e que precisam de cuidados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou de procedimentos complexos, como cirurgias cardíacas. Sem saber exatamente quantos cidadãos utilizam os serviços e quais são os que têm mais procura, não é possível traçar previsões de demandas, identificar gargalos e organizar de forma inteligente a assistência.

A ausência de dados qualificados também diminui as potencialidades dos consórcios intermunicipais com participação do governo estadual. Esse modelo integra municípios localizados na mesma região para melhorar a oferta de serviços, permitindo que os cidadãos encontrem especialidades, exames e procedimentos próximos à região em que vivem, diminuindo complexidade e custo para os dois lados do atendimento. Mas, se as demandas não forem conhecidas e não for possível cruzar dados entre os municípios e o Estado, todo esse processo é dificultado.

Para suprir a necessidade por dados qualificados para desenvolver estratégias, algumas tecnologias agrupam e relacionam informações em tempo real, como sistemas de gestão (Enterprise Resource Planning - ERP) e módulos específicos de regulação e suprimentos. O gestor estadual também pode utilizar informações geradas pelo Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), no atendimento clínico e assistencial, e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A governança das informações é feita com ferramentas de Business Intelligence (BI) - que permitem interpretação de um grande volume de dados armazenados por sistemas informatizados - e analytics - que utilizam algoritmos analíticos avançados para processar registro de dados e criar modelos de previsões.

Produzir dados qualificados, no entanto, demanda uma mudança de mentalidade que vai além do armazenamento da enorme quantidade de dados gerados nos diversos tipos de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). A análise qualitativa e preditiva da informação é o primeiro passo para desenvolver um sistema que atenda às necessidades do cidadão, ao mesmo tempo em que reduz custos e melhora processos críticos da Saúde Pública.

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